Obama na UNASUL?

Por

Será???????

Mais desdobramentos do caso ‘as 7 bases da Colômbia’… Na semana passada, o assessor de Segurança Nacional dos EUA, James Jones, discutiu além do acordo com a Colômbia, o investimento do governo americano no setor energético brasileiro. Como vocês sabem, Uribe veio aqui, Chávez ameaçou guerra, e o tema da reunião da Unasul não poderia sair da polêmica Colômbia/gripe suína…

Apesar do tato com que se tentou tratar o tema, nem todo o protocolo do mundo poderia impedir que Chávez quebrasse sua própria regra de manter-se sob holofotes não importa o que aconteça. Uribe não compareceu e mandou a vice-chanceler para a reunião. Nenhum acordo sobre como abordar o tema em um texto oficial foi atingido, apesar dos presidentes passarem mais de 12 horas reunidos. Protelaram a agenda para um encontro de ministros das relações exteriores e de defesa, no fim de agosto, e Lula mencionou a possibilidade de trazer Obama para explicar o acordo EUA/Colômbia e tranquilizar os líderes da América do Sul quanto aos interesses americanos na região.

Convenhamos, isso provavelmente não vai acontecer. O presidente americano até já veio a uma reunião da Unasul antes da Cúpula das Américas, para discutir a situação de Cuba e praticar a política da boa vizinhança. Mas a situação agora é outra. Para que Obama viria dar satisfação aos vizinhos barulhentos do andar de baixo? Ele já declarou que esse alarde é fruto de uma ‘retórica anti-ianque tradicional’, mais conhecida como ‘anti americanismo’. Já disse que as preocupações colombianas com as operações das FARCs nos países vizinhos devem ser resolvidas pela Colômbia em diálogos com os mesmos. Ou seja, ‘se virem’!

E quem mais vai peitar a Colômbia? Chávez até mandou o seu embaixador em Bogotá voltar para Caracas, mas já o reenviou ao seu posto. Provavelmente, Chávez ainda vai tagarelar sobre isso por um bom tempo, e talvez a notícia seja requentada na mídia como acontece com o Michael Jackson e a gripe suína.

O fato é que o acordo entre Colômbia e EUA não será barrado. São nações soberanas e a única coisa que os vizinhos incomodados podem fazer é aceitar, usar os foros multilaterais para ‘expressar preocupação’, ou partir para conflito militar. E essa última opção, definitivamente, não vai acontecer. Ninguém vai correr o risco de entrar em uma guerra contra a Colômbia, tendo por combatente os EUA. Não quero aqui entrar no mérito de se os EUA estão cometendo ingerência, ou se os propósitos do acordo são imperialistas. O Alcir já levantou os pontos pertinentes a essa discussão em post anterior. Mas a guerra iminente profetizada por Chávez, essa fica pra próxima. Assim como a satisfação que o Lula pediu ao Obama.

Podemos esperar sentados. Será que ele vem?



Categorias: Américas, Defesa, Estados Unidos, Organizações Internacionais, Paz, Segurança