Obama e o mundo

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Em março desse ano, analisando a aprovação da reforma da saúde nos EUA, dizia que esta era uma última cartada de Obama para tentar salvar sua política interna. Bem, a reforma não deu tão certo no fim das contas, e a desilusão com a falta de reformas somada à impopularidade econômica de Obama tiveram seu preço nas urnas. A vitória republicana nas eleições da última semana compromete o projeto reformista de Obama, que agora corre contra o tempo para salvar alguma coisa até o fim do ano.

O mais interessante é que na mesma análise, previa-se um cenário sombrio nas relações exteriores dos EUA, com crises infindáveis. A ironia: enquanto internamente as coisas azedam, a política externa dos EUA até que não vão tão mal ultimamente. Claro que vão ter que explicar algumas coisas para muitos países na reunião do G-20, principalmente aquela travessura do Fed de inundar o mercado com uma bagatela de 600 bilhões de doletas. Mas, de resto, as coisas não vão tão mal para Obama: a crise na Europa parece estável (ou, ao menos, hibernando), graças a sua influência Israel ainda não invadiu o Irã com a faca entre os dentes, as sanções contra Ahmadinejad passaram no CS, e até mesmo a China flexibilizou um pouco aquela descarada desvalorização do Yuan. Algum crédito à dona Hillary? Possivelmente. Resta o desafio do Afeganistão (já que o Iraque é um caso perdido), enquanto Obama até mesmo está abrindo outras frentes de atuação, como o incentivo ao diálogo entre Índia e Paquistão (inclusive, com o apoio formal à Índia como membro permanente do CS…opa, reformas à vista? Quem sabe).

Quando os analistas dizem que a derrota nas urnas está “empurrando” os democratas pra agenda externa, não se trata de um reflexo das eleições, mas sim de uma conseqüência natural: independentemente do sucesso de políticas internas, os EUA sempre vão se destacar na arena internacional, e a situação exige tal desenvoltura para que Obama tenha algum êxito em seu currículo presidencial. Se a novidade e excitaçao iniciais de seu mandato parecem ter acabado dentro dos EUA, fora Obama ainda tem crédito e pode fazer alguma diferença. Ao menos, ele está correndo atrás disso. Afinal, se não dá pra salvar os EUA, por que não o mundo?


Categorias: Américas, Política e Política Externa


1 comments
Rafael
Rafael

Bom dia a todos...Obama fez o que ninguém teria coragem de fazer. Além de mexer totalmente com o cenário nacional americano contrariando a visão dos "estadistas republicanos", reforma tributária e tal tal tal...OBAMA um dos melhores presidentes americanos(Obs. dependemos totalmente da economia america e do mercado chinês, então temos que sempre torcer para estejam bem !)