O teatro de Zelaya:

Por

O filme é comovente. Já esteve em cartaz. Em 2002, Hugo Chávez sofreu um golpe de Estado (na verdade sofreu o golpe de Estado mais rápido da história). Em questão de dias voltou ao poder, frente a grande manifestação popular em seu favor. Nada indica que o fim de Zelaya será tão feliz quanto o de Chávez, mesmo o contexto sendo semelhante, qual sejam, medidas “esquerdizantes” somadas a crise econômica. Só ficou faltando uma atuação mais indiscreta dos Estados Unidos na atual crise em Honduras, como evidências indicam e Chávez afirma no caso da Venezuela. Veja mais aqui e aqui.

Quem assistiu ao vivo a cena pode perceber o teatro claramente. Zelaya pisou no solo hondurenho, de fato. Mas nem de longe chegou a incomodar o governo provisório. Sua maior esperança é que o fato novo leva a população a insurreição a seu favor. O presidente deposto quer continuar em foco nos debates das relações internacionais, mesmo sabendo ser pouco provável um concerto regional para sua volta.

O máximo que ele deve conseguir, é o desejo boa sorte e a recomendação de cuidado, como no caso do presidente brasileiro Lula. Além da condenação de Hilary Clinton, que considerou a ato de Zelaya como uma provocação. De fato, a atitude do presidente deposto pouco ou nada colabora para a restauração da ordem democrática em Honduras.

Apesar de tudo, o que deve mesmo acontecer é o avanço das tratativas diplomáticas. A comunidade internacional pressionano e exigindo, de um lado, uma saída através do diálogo, e as partes aceitando a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias. Faz quase um mês que a crise se iniciou e nem o não reconhecimento do governo provisório pela comunidade internacional a levou a um fim. De lição para os próximos presidentes fica que o abuso de poder, com ou sem o apoio popular, e para fins pouco claros, incluindo até mudanças constitucionais, nem sempre funcionarão em seu favor.

Agora é esperar o final do espetáculo. Será que Zelaya tenta voltar novamente? Ou espera uma solução negociada. Vamos ver.



Categorias: Américas, Polêmica


0 comments