O sonho do Estado próprio

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Conquistar por seus próprios meios um espaço físico individual, reconhecido socialmente pelos demais, é um sonho que quase todas as pessoas esperam poder realizar durante a vida. Já no plano internacional, o sonho do “Estado próprio” é perseguido pela Palestina há décadas. Um capítulo importante dessa saga foi escrito ontem, com o reconhecimento histórico da Palestina como “Estado observador não membro” da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ainda que a importância deste acontecimento seja muito mais simbólica que prática (entenda melhor aqui), trata-se de uma vitória política sem precedentes – e a partir da qual frutos futuros podem ser esperados no que se refere à resolução do complexo jogo de interesses partilhados/disputados por Palestina e Israel no Oriente Médio. Com uma nova onda de hostilidades que se iniciou há poucas semanas e vem chamando diariamente a atenção internacional à questão devido ao grande número de vítimas inocentes (principalmente palestinas), o assunto não poderia ser mais urgente.

Desta forma, a Palestina deixa de ser representada na ONU apenas pela entidade Organização para Libertação da Palestina (OLP) e alcança, pelo menos no âmbito desta organização, o almejado status de “Estado”. Ainda que apenas observador e sem direito a voto, sua responsabilidade aumenta, bem como a possibilidade de seu envolvimento com as agências internacionais da ONU. Sem dúvidas trata-se de uma vitória política para Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Com a oposição dos Estados Unidos, sempre aliados de Israel (…), e apenas outros 8 países, esta elevação de status na ONU foi festejada no Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, exatamente 29 de novembro. Em retaliação a esta conquista palestina, contudo, Israel anunciou imediatamente a construção de mais 3.000 moradias para judeus nas disputadas zonas de Jerusalém Oriental e da Cisjordânia… considerados ilegais pela ONU e condenados pela comunidade internacional, estes assentamentos constituem um claro obstáculo à busca pela paz na região, demonstrando a dificuldade de um diálogo aberto com o lado israelense. 

Na longa busca deste sonho palestino por um Estado próprio, muitas vidas inocentes já foram sacrificadas (tanto na Palestina quanto em Israel). A cada dia se faz (mais) necessário nutrir a esperança de que a delimitação de fronteiras na região e uma solução pacífica ao embate são, além de desejadas, realmente possíveis. E a conquista histórica deste espaço ampliado da Palestina na ONU, mesmo que como “observador não membro”, demonstra um pequeno grande passo nesta direção… 


Categorias: Conflitos, Organizações Internacionais, Oriente Médio e Mundo Islâmico


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