O show é dos senhores!

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No estudo da história das Relações Internacionais, uma das vertentes mais tradicionais (e que já levou muita pedrada, mas ainda é muito utilizada) é a chamada “história diplomática”. Basicamente, é o estudo da história de um país com foco nas figuras do homem de Estado (de diplomatas a governantes) e seus feitos. Eu imagino que os historiadores do futuro que venham a estudar nosso período vão ter um prato cheio pra lidar com os protagonistas que temos hoje em dia.

O cara da moda é o Kadafi. Não bastava ter seu país estar em conflito civil, com intervenção estrangeira e seu paradeiro ainda ser um mistério, enquanto continua bradando aos seus leais seguidores que mantenham a resistência aos insurgentes. Na semana passada, descobriram em um de seus suntuosos bunkers ocupados pelos rebeldes um álbum de fotos e recortes de… Condolezza Rice. Aparentemente o líder líbio nutre uma admiração excessiva pela antiga secretária de Estado dos EUA, e mesmo que ressurja e tome de volta o país em uma espécie de virada épica, as páginas da história não vão ter clemência ao relatar sua “paixão adolescente”.

Por outro lado, há outros que estão um pouco fora de cena. Lembram do Kim Jong-Il? Pois é, depois de tanto espernear com seu programa nuclear e chamar a atenção do mundo, vieram uns árabes abusados e roubaram os holofotes da Coreia do Norte no palco internacional. No momento, deve estar de tocaia, aguardando para seu retorno triunfal à cena internacional enquanto o país tenta driblar as sanções e ganhar uns trocados de maneira criativa, como trapacear em jogos on-line.

Há também os que andam sumidos, por bons motivos, como Hugo Chavez (que certamente vai voltar com mais força que nunca); e há os que estão achando ótimo esse sumiço. Quando começou a intervenção da Líbia, se falava muito de Sarkozy e Berlusconi, os maiores interessados na ação. Mas claro que, um com problemas econômicos e políticos, outro com judiciais, a mudança do foco para a desastrada, apesar de apaixonada, ação dos rebeldes líbios caiu como uma luva: se não para amenizar as críticas, ao menos para desviar o mau-olhado da imprensa. Falem bem, falem mal, NÃO falem de mim…

E há os que navegam na incerteza. No Japão, a saída anunciada há tempos de Naoto Kan e consumada na sexta-feira abre espaço para Yoshihiko Noda, ministro das finanças e que promete arrocho fiscal pra sanar a economia do país e bancar a reconstrução após o desastre do começo do ano. Nos EUA, o esforçado mas desgastado Obama parece ter contornado momentaneamente os problemas com o Congresso e sua organização para enfrentar a chegada do furacão Irene (com um saldo de 19 mortos até o momento) são vitórias quando comparadas, pelo menos, a circunstâncias semelhantes enfrentadas pelo seu antecessor.

Curioso reparar como não temos no momento líderes que estejam com aceitação acima da média ou 100% de bem com a imprensa. Pode ter sido um mês excepcionalmente ruim, mas provavelmente é a época de crise que não ajuda muito na criação dos mitos…


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