O que está em jogo?

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Quis o destino que a Eurocopa 2012 – campeonato de futebol encarado seriamente como uma “Copa-do-Mundo-regional” pelos europeus – refletisse em suas quartas-de-final uma rivalidade que ultrapassa as quatro linhas do gramado, especialmente nos últimos tempos. Alemanha e Grécia se enfrentam na próxima sexta-feira em campo na busca de uma vaga para a próxima fase da disputa, a qual será definida ao final de 90 minutos de partida. 

Já em outro terreno, resultados concretos são esperados já há algum tempo e não se sabe ao certo até quando a prorrogação se estenderá. Com as eleições gregas realizadas neste último final de semana, a polêmica para a formação do novo governo continua (visto que não houve maioria absoluta em nenhum dos lados, apesar da vitória dos conservadores, leia mais aqui e aqui), sendo que mesmo a permanência da Grécia na zona do euro (ainda) está em jogo. 

O embate político envolve um conceito-chave: austeridade (veja post no blog a este respeito aqui). Enquanto a Alemanha se mostra como o país mais favorável às políticas de austeridade na zona do euro, a Grécia – imersa na crise econômica e suas enormes consequências – pode ser considerada como o principal país “alvo” da austeridade. Extremamente impopulares em meio à população, as medidas que envolvem cortes de gastos com educação e saúde, por exemplo, têm levado milhares de gregos às ruas para protestar.

Entre renegociações, empréstimos e resgates, a Grécia se esforça na busca de uma coligação política entre conservadores e esquerda, enquanto o debate sobre “como salvaguardar o euro” faz parte das discussões do G20 que estão acontecendo nesta semana. 

Mesmo que jogadores e comissão técnica de ambos os times participantes da Eurocopa tentem evitar comparações entre esporte e política, a polêmica envolvendo o embate entre gregos e alemães inevitavelmente gera repercussão fora de campo. Ao mesmo tempo em que a continuidade em um campeonato regional é disputada pelas duas equipes, fora das quatro linhas o que está em jogo é muito mais amplo e complexo. Enquanto no futebol um dos lados deve sair vencedor às custas da derrota do adversário, a mesma lógica não pode/deve ser aplicada à esfera política, de forma que uma concertação coletiva é mais do que necessária para a estabilidade europeia. 

Resta-nos apenas acompanhar o desenrolar deste embate em seus diferentes terrenos para saber quais serão os – mais do que esperados – resultados finais… 


Categorias: Economia, Europa, Política e Política Externa


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