O que esperar de 2010

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[No embalo do post do Giovanni sobre 2009, trago algumas reflexões sobre 2010. Para os que tiveram interesse seguem três links 1, 2, 3 ]

 

2010 pode ser o ano para o Brasil, a partir dos nossos pontos fortes:

  1. Um dos primeiros países a reverter os efeitos da crise financeira internacional;
  2. Foco de estabilidade da ordem político-democráticas na América do Sul;
  3. Proeminência e possível liderança mundial na questão ambiental;
  4. Auto-proclamada liderança regional e influência junto à comunidade internacional;
  5. Mercado doméstico solidificado;
  6. Economia em crescimento e sustentável;
  7. Diversificação dos parceiros políticos, comerciais e estratégicos;
  8. Boa Política Macroeconômica.

A tendência é que o país alcance novas conquistas, além das de 2009. Porém, alguns desafios vão surgir no que concerne a nosso posicionamento externo:

  • Afinal, de que lado está o Brasil:

Estaria ao lado dos defensores da democracia? Mesmo que isso signifique ter de abrir mão de nossa política estar “bem” com todos? O que se viu em 2009 foi um posicionamento pouco congruente, colocando-se a favor do funcionamento das instituições democráticas em Honduras ao mesmo tempo em que mantém relação próximas com regimes com pouco aprezo por estes valores, caso da Venezuela.

  • Como lidar com a questão do narcotráfico:

Outra questão sensível em nosso continente. 2010 pode exigir uma postura mais firme do governo brasileiro, tendo em vista a rivalidade entre Colômbia e seus vizinhos, assim como a extensão do Plano Colômbia.

  • Evitar excessos em ano eleitoral:

O presidente Lula já evidenciou das mais diversas formas seu desejo de fazer de Dilma Roussef sua sucessora. A relação presidente/candidata, no entanto, não pode ter reflexos na condução de nossa política externa. Na minha opinião, esse é outro assunto a que devemos nos atentar em 2010.

Passemos para alguns dos desafios da comunidade internacional em 2010:

  1. Organizações multilaterais pouco efetivas (questões comerciais/ambientais/armamentos nucleares);
  2. Câmbio chinês sub-valorizado artificialmente;
  3. O plano de contingência no Afeganistão será mais efetivo?;
  4. Questão Palestina/Israel/Irã;
  5. Novos focos para ação terroristas;
  6. Ameaças crimes/ameaças cibernéticos (segurança cibernética);
  7. Novos desdobramentos na Venezuela.
  8. Necessidade de criar instituições multilaterais a altura dos desafios e questões ensejadas a partir de um mundo cada vez mais integrado.

Para finalizar, destaco alguns pontos que considero importantes:

  • G-2 (China e Estados Unidos)

A relação entre os dois países é chave para muitas das questões na agenda atual das relações internacionais. (Irã, Aquecimento Global, Comércio Internacional).

Comércio

Um dos principais focos de tensão entre os países é a questão do câmbio chinês. Muitos países são fortemente afetados por esta política, alguns especialistas afirmam que está é uma forma de exportar a recessão chinesa para outros países. Enquanto isso, fica cada vez mais difícil competir com os produtos chineses. Os EUA pressionam, assim como Europa, no sentido de torná-lo mais natural.

Irã

O ano de 2009 marcou a abertura de negociações diplomáticas pelos EUA com relação ao desenvolvimento nuclear iraniano.O engajamento e conversas sem precondições, plataforma de campanha de Barack Obama, não impediu a continuidade dos planos iranianos na obscuridade e o surgimento de focos de instabilidade interna. Por outro lado, angariou novos apoios nos foros internacionais no sentido de buscar novos avanços nessas negociações, em especial com China e Rússia. Israel é outra questão sensível nessa temática.

  • Um novo compromisso dos Estados Unidos:

A campanha de Obama para presidente dos EUA marcou um “momentum”. Foi o encontro em uma plataforma de campanha que reconhecia problemas internos e oferecia novas respostas à forma de se colocar nas suas relações exteriores. 2009 viu a batalha da esperança contra os desafios espinhosos. Obama levantou muitas perguntas para as quais não teve (para algumas não tem, em definitivo) respostas, mas um posicionamento mais positivo com relação aos parceiros e inimigos pode ser notado. 2010 não deve ser diferente em relação aos desafios, contudo a diminuição das expectativas pode oferecer um campo para crescimento desse novo compromisso americano.

  • Aquecimento Global:

Seguem as perguntas de sempre para a próxima reunião no México:

  1. Quem deve financiar os esforços para mitigar os efeitos das mudanças climáticas;
  2. Qual o método mais efetivo de lidar com a questão.

A construção do acordo que sucederá o Protocolo de Kyoto é muito difícil. São mais de 190 países envolvidos. As bases para o consenso devem ser construídas a partir dos maiores poluidores. Tais compromissos podem oferecer novas perspectivas para a questão.


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