O que dizer da Alemanha?

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Fonte: dw.de

Em meio a um cenário crítico e cético da economia na Europa, mais especificamente na União Europeia, parece haver uma “luz no fim do túnel”. Parece, pois talvez não seja uma saída para um continente mergulhado em crises financeiras, altas taxas de desemprego, estagnação econômica e resgates de euros provenientes dos fundos estruturais do bloco regional. 

Particularmente, sou um entusiasta da União Europeia e já escrevi sobre isso aqui na Página Internacional. Mas, quando o assunto é a moeda única e as crises provenientes do mesmo, temos que ter o pé no chão e ver que faltam muitos passos para a Europa voltar àquela pujança econômica de tempos atrás. Pois bem, agora em Julho, em contrapartida e inesperadamente, a economia do Euro voltou a crescer em virtude de uma alta no chamado Índice de Gerentes de Compra (PMI, em inglês), que avalia o setor privado dos países. Pode-se dizer que a confiança está voltando de maneira lenta e gradual por aquelas bandas. 

Talvez bem lenta e bem gradual, sendo franco. Todavia, o que chama a atenção é o papel de um ator que, desde 2008 com o início das turbulências na economia global, vem “levando a Europa nas costas”. E aqui está ele: a Alemanha. O país colocou o Reino Unido e a França como atores importantes, mas coadjuvantes, na recuperação desde a crise. Aglutinando confiança empresarial, crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e apoio da população ao atual governo de Angela Merkel, a qual vem liderando as pesquisas para a próxima eleição em Setembro, os alemães estão na dianteira econômica da União Europeia. 

Em reportagem especial da “The Economist” publicada pela Revista Carta Capital da última semana (ano XVIII, n. 758) e intitulada “A relutante potência hegemônica europeia” é abordado de maneira completa o que fora dito nos parágrafos anteriores. Nela há um paradoxo: mesmo com a sua força econômica, a Alemanha parece não seguir corretamente (ou querer e desejar) a liderança do bloco. O motivo? Economia forte, mas desconhecimento da história do país, mais uma vez assombrado pelos anos do Nazismo, população majoritariamente idosa e uma concentração de renda alta. 

De acordo com dados do “Pew Research Center”, a Alemanha é o país com maior número de opiniões favoráveis sobre a União Europeia e o Euro, ultrapassando Itália, Espanha, Reino Unido, Grécia e França. Mais do que isso, os alemães, cerca de 55%, acreditam que a economia interna foi fortalecida pela integração. Dados da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentam as menores taxas de desemprego e os maiores balanços orçamentários e de conta corrente proveniente aos alemães, ultrapassando, inclusive, os Estados Unidos. 

Então, o que dizer da Alemanha? Tem muitos pontos positivos, e outros extremamente negativos, sejam eles padrão de vida estagnado, riqueza assimétrica, poupança com dividendos negativos. A julgar pela reportagem em questão e as notícias recentes divulgadas nas mais diversas mídias, o crescimento econômico alemão tende a continuar nos próximos anos. Alguns problemas internos de características históricas, culturais e, obviamente, financeiras, acabam por atrasar sua suposta liderança na região. Não se sabe ao certo se Reino Unido e França, as outras duas maiores economias da Europa, caíram de produção e isso ajudou na valorização dos alemães ou se estes últimos tiveram méritos próprios para tanto. O que se tem total certeza, até o presente momento, é que, para uma Europa crescer, é necessário o fermento alemão.


Categorias: Economia, Europa


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