O que deu no G-20?

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Pois é, pessoal. E veio a tal reunião. E junto com ela algumas medidas interessantes. Vejamos as principais medidas (Quem quiser ver o joint-communiqué na íntegra veja aqui em inglês no site oficial). Detalhe, como em todas as reuniões desse tipo, isto tudo que foi aceito é no máximo um protocolo de intenções. Ou seja, não significa que os países necessariamente farão isso. O próximo passo agora é que os governos tomem ações práticas no âmbito interno a fim de consolidar suas intenções.

Primeiro as medidas mais óbvias:

1. Os países concordaram em ter mais regulação no sistema financeiro: Todas as instituições devem ser reguladas. Bom, depois de tudo que aconteceu, era o mínimo que se esperava.

2. Endurecimento nas regras para pagamentos de executivos: A AIG abusou mesmo no pagamento dos bônus. E não só ela. Agora vamos esperar se saem mesmo leis mais duras que regulem o pagamento de executivos. Se bem que eles sempre arrumam um jeito de enrolar as leis…

3. Agências de classificação de risco: Pois é. Essas foram outras que abusaram. Dias antes da quebra de grandes bancos, eles estavam classificados com grau AAA+, o mais alto dado pelas agências de risco. Elas são responsáveis por ‘afirmar’ que uma instituição (seja empresa, país, etc) está sólido o suficiente para cumprir seus compromissos.

E não fizeram isso bem, por uma razão simples: interesse. É óbvio que uma classificação de baixo risco incentiva as pessoas a investirem na instituição ‘confiável’. E isso já diz tudo, muita vezes, a empresa a ser avaliada era cliente da agência, ou tinha negócios com ela, enfim…

Agora será criado um código internacional (não sei bem como isso vai funcionar) para evitar conflitos de interesses.

4. Bancos: Parece que agora perceberam que os bancos devem ter reservas para enfrentar crises. Após se recuperarem, isso vai ser cobrado desta vez. Por enquanto, receberão ajuda dos governos para não quebrar.

5. Comércio: Rejeitaram-se medidas protecionistas e será criado um fundo de US$ 250 bi para financiar o comércio internacional (altamente dependente de financiamentos). Foi fechado um acordo também para destravar o quanto antes a Rodada Doha (duvido muito, se for concluída mesmo, será um grande lero-lero).

6. Reunião: Nova reunião ainda este ano para avaliar o andamento das medidas.

Agora as medidas práticas interessantes:

1. FMI: O pessoal quer colocar US$ 1,1 tri a mais no FMI para ajudar os países com crédito. A gente já tinha cantado essa bola aqui, uma vez que esse acordo estava sendo costurado antes da reunião.

2. Estímulos Fiscais: Mais US$ 5 tri em estímulos fiscais até 2010. Além disso, recursos de venda de ouro ao FMI deverão render um dinheirinho para ajudar os países mais pobres.

(Para esse resumão usei um gráfico do Estadão disponível aqui)

Quer mais ainda??? Ouça aqui uma entrevista com um enviado à reunião de Londres (Vale a pena!)

Tem também o comentário do Carlos Alberto Sardenberg aqui e da Miriam Leitão aqui.

Veja aqui também o site oficial da Cúpula, tem coisas interessantes.

Taí a cobertura da Página Internacional! Mais comentários no nosso podcast do fim de semana (como a questão dos paraísos fiscais, das novas medidas de escolha dos diretores do FMI e Banco Mundial e a nova comissão para evitar crises).

Aguardo feedback de vocês!


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