O primeiro veto

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Diz-se popularmente que “o primeiro a gente nunca esquece”… talvez hoje essa frase se aplique a Obama, visto que foi o dia do seu primeiro veto enquanto presidente dos EUA no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O assunto? Um dos mais polêmicos e recorrentes possíveis: a ocupação israelense em territórios palestinos. (Vale ressaltar que, dependendo do ponto de vista, basta inverter as palavras “israelense” e “palestinos” para avaliar a amplitude deste que se caracteriza como um dos conflitos históricos mais complicados das Relações Internacionais. Para se aprofundar um pouco mais no tema, clique aqui e aqui.)

Contra o interesse dos EUA, grandes aliados de Israel, foi apresentado há mais de um mês ao Conselho de Segurança das Nações Unidas um projeto de resolução que condenava a política israelense de construção de assentamentos nos territórios palestinos ocupados. Este projeto foi apoiado por mais de 120 Estados, demonstrando a indignação da comunidade internacional diante de uma situação que dificulta enormemente o diálogo com a Autoridade Palestina em busca da paz na região.

Segundo declarações norte-americanas, contudo, este assunto deve ser discutido bilateralmente, considerando que “levar o assunto para a ONU só deve complicar os esforços para que seja retomado o processo de paz entre palestinos e israelenses”. Vale ressaltar que o veto dos EUA – enquanto membro permanente com o poder de inviabilizar o projeto – já era esperado, dado seu apoio histórico ao governo israelense, de forma que a votação veio apenas demonstrar o isolamento norte-americano (com o único voto contrário) diante da questão, despertando um profundo debate político.

Variadas são as questões que emergem neste momento, podendo levar a discussões muito mais amplas no âmbito dos estudos em Relações Internacionais, como as seguintes, por exemplo: Qual é o papel da ONU diante de um cenário de “impotência”? E qual é a perspectiva de desfecho nas negociações entre Israel e Palestina? Como a sociedade civil pode/deve intervir? Ou, enfim: pode apenas um país inviabilizar uma causa apoiada por dezenas? Neste caso, tal como a charge no início do post sugere, sim, eles podem


Categorias: Estados Unidos, Organizações Internacionais, Polêmica


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