O preço do inevitável

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Na semana com o noticiário tomado pelo desastre do tufão nas Filipinas, fica a perplexidade por conta da força impossível de ser contida da natureza e pela perda incalculável de vidas humanas. Infelizmente, é quase impossível deter esse tipo de tragédia, e condições sociais menos privilegiadas geralmente resultam em hecatombes como essa, com número oficiais computando mais de 4 mil mortos, mas com estimativas na casa das dezenas de milhares. 

É possível até fazer uma ligação com a questão do desenvolvimento. O vencedor do prêmio Nobel Amartya Sem dizia que desenvolvimento é o mesmo que provisão de liberdades básicas (como o direito de ir e vir, participação política, a liberdade de poder se alimentar plenamente, etc.). Na sua visão, não é necessário que se tenha dinheiro para ser “desenvolvido” em alguns casos, mostrando como mesmo em países ricos temos minorias com qualidade de vida ruim comparada a certas populações de países pobres. Mas, sem querer contrariar um pensador desse calibre, há casos em que dinheiro ajuda muito, e basta comparar a tragédia das Filipinas com o que aconteceu no Japão em 2011. 

O nível de destruição foi parecido nos dois países (que têm até uma configuração parecida, sendo arquipélagos e tudo mais), apesar de haver um componente dramático no caso japonês por conta do vazamento radioativo, mas as dificuldades após a tragédia lá foram um pouco menores, pois a logística funcionou melhor, e o acesso das equipes de resgate foi mais rápido. Nas Filipinas, por mais que haja uma certa preparação e que o país seja atingido regularmente por eventos desse tipo (o Hayian nem é considerado o pior desastre de sua história pra ver como a coisa é feia), a infraestrutura foi abalada e o acesso é restrito, com falta de alimento e água, cadáveres pelas ruas e riscos à saúde dos sobreviventes. Em ambos os casos houve ajuda internacional, mas um fator primordial acaba sendo aquilo que havia antes do desastre, e nem temos como comparar a infraestrutura do Japão com a das Filipinas. 

No fim das contas, é mais um daqueles desastres que entra na conta dos países em desenvolvimento, onde o número de vítimas (com exceção e casos excepcionais) é sempre maior do que em países desenvolvidos enfrentando situações semelhantes, e essa realidade de disparidade econômica tem efeitos reais quando ocorre o inevitável.


Categorias: Ásia e Oceania, Assistência Humanitária, Direitos Humanos


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