O preço da liberdade?

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Antes de liberdade e igualdade, poderíamos ter pão e carne?

As revoltas no mundo árabe continuam dando corda para o noticiário internacional. Nessa última semana, com o aval do CS da ONU, países aliados encabeçados por França, Reino Unido e EUA passaram a fazer valer uma “no-fly zone” na Líbia, para evitar que Kadafi continuasse a massacrar os insurgentes (e civis) com aeronaves. Até onde se sabe, parece que sua força aérea já foi, se não destruída, enfraquecida o suficiente para garantir a segurança dos cidadãos.

Ora, chegamos ao ponto principal dessa revolta – e de todas as que andam acontecendo na região: são marcadas pela participação popular, de variados modos, mas o que se pode esperar de suas conseqüências para o povo? Afinal, mais do que derrubar ditadores e instaurar a democracia, os seus protagonistas estarão sendo contemplados?

No Egito e Tunísia, onde o furor já passou, a coisa não parece muito melhor – o Egito tem um momentâneo (e, quem sabe, contínuo?) poder castrense, enquanto na Tunísia houve uma divisão de poder entre partidos incluindo antigos aliados do ditador deposto. Já na Líbia, apesar do que possa parecer, os países aliados não estão atacando para derrubar Kadafi ou coisa parecida – e nem podem fazer isso! Apenas estão cumprido uma vaga resolução da ONU para proteger a população de seu próprio governante. Ou seja, estão dizendo que quem deve fazer o trabalho são os próprios líbios. Se vai dar certo ou não? Mistério. O que importa é que líbios continuam morrendo diariamente (pelas tropas de Kadafi? Ou mesmo pelas bombas ocidentais?).

A coisa está pior em outros países da região, como no Iêmen. Lá, o presidente teve de destituir partes do governo e perdeu apoio de generais e outros políticos após o massacre de civis em protestos. Se a perda de vidas nesses processos de democratização acaba sendo inevitável nesse contexto de choque, o problema é não ter a certeza de que o resultado final atingirá os objetivos esperados pelo povo.

Os protestos continuam, na Síria, Iêmen, Bahrein e outros países. A violência, também. Com a incerteza dos resultados nos casos de “sucesso” e a aparente falta de evolução nos que estão ocorrendo agora, o futuro dessas revoluções é, no mínimo, nebuloso, e não se tem nem democracia, nem melhora de condições em um horizonte próximo para esses povos. Seria exagero se pergutar se não seria um preço muito alto pela democracia?


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