O Outro Lado

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A crise econômica mundial moveu mais uma vez os holofotes do mundo para a China. O país conseguiu apresentar um impressionante crescimento de 8,7% em 2009, ano em que as maiores potências do mundo encontravam suas economias estilhaçadas. O atual momento pode até ser entendido como aquele em que o país finalmente clama seu lugar frente às grandes potências mundiais e questiona as atitudes dos EUA com muito mais do que simples palavras.


O grande sucesso chinês nesse período de crise foi resultado de um pacote de investimentos do governo que evitou os piores efeitos da recessão no país. A partir daí emergiram mais questionamentos sobre a eficácia de um modelo econômico estadunidense frente a uma possível superioridade do modelo econômico chinês. Assim, cada vez mais se fala de uma crise política em Washington, de uma possível superioridade de um modelo econômico chinês e da ascensão de uma China potência.


O que fez a China se recuperar tão rápido? Será que o modelo político-econômico chinês é de alguma forma superior? Bom, primeiramente vale lembrar que a China apenas seguiu as lições que os próprios EUA ensinaram, mas não foram capazes de seguir completamente devido ao grande atrelamento econômico com as instituições bancárias. Segundo, uma rápida análise próprio regime de governo chinês aliado às origens de um termo relativamente difundido, ditadura, pode trazer algumas respostas.


O termo ditadura se originou na Roma antiga quando, em caso de grave crise uma magistratura concentrava todo o poder das demais. A idéia era estabilizar a organização política para responder rapidamente a uma grave crise. Na atualidade os famosos ditadores não seguem esse exato modelo idealizado pelos romanos (uma vez que nem mesmo os próprios conseguiram utilizá-lo com maestria) de devolver o poder depois de estabilizada a situação política


Agora a China. Um governo autoritário, que vive com base na supressão da opinião pública, na censura e de poucas liberdades individuais e políticas aos cidadãos. Há apenas um partido, o Partido Comunista, considerado pelo próprio Estado como socialista. Mas ao final das contas o que há mesmo é uma centralização política muito próxima do que conhecemos por ditaduras em tempos modernos.


O ponto que aqui apresento é simples, porém importante. A concentração política do governo chinês, a falta de accountability do governo para com a opinião pública e com setores oposicionistas, aumentam a rapidez das ações em momentos de crise como essas. Contudo há sempre o outro lado frente a essa suposta rapidez e eficácia. E esse lado é uma sociedade cada vez menos democrática e menos participativa, deixando a política para o que Schumpeter diria ser a classe política, aquela designada a governar. A única diferença é que na teoria do autor há a possibilidade da população aceitar ou recusar aqueles que fazem parte dessa classe, mas nesse caso cabe à população apenas a aceitação.


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