O orçamento militar e a Indústria de Defesa: dois caminhos incertos

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Recentemente, eu e outros colaboradores do blog, o Álvaro e o Giovanni, participamos de um congresso bem interessante cujo tema central foi a Indústria de Defesa brasileira, abordando as políticas na área e as perspectivas para os próximos anos. Foi aí que nos surgiu a ideia de discutir um pouco desse tema no blog. Um tema tão polêmico que desperta paixões de diversas naturezas e que poucas pessoas sabem sobre. Por isso, vamos iniciar uma pequena sequência de posts sobre o assunto para provocar vocês, nossos leitores, a participarem dessa interessante discussão! Iniciemos!

Tratar de Indústira de Defesa é muito polêmico. Mas mesmo o assunto da Defesa nacional já desperta por si só muitas paixões. Aqui, ouve-se que o Brasil não precisa de Forças Armadas já que não temos ameaças aparentes. Acolá, que ameaças podem aparecer a qualquer momento, mas, que não temos orçamento suficiente e a situação de nossas forças armadas é de grande abandono e sucateamento. Bom, afinal das contas, quem está com a razão?

Uma resposta para isso seria um caminho mais intermediário. De fato não temos ameaças aparentes e nossos materiais estão bem atrasados. Mas há recursos aos quais proteger, como ditado em nossas políticas de Defesa, a Amazônia, nosso mar territorial e até mesmo as bacias petrolíferas. Em outras palavras, há uma soberania a se defender. Por isso, não se pode descurar de uma Defesa nacional pronta e bem equipada.

Todavia, nosso problema não é de escassez orçamentária e sim da forma como nosso orçamento é distribuído. Em 2009, correspondia a 1,7% do PIB a fatia dos recursos da união destinada à Defesa nacional. Agora, no mesmo ano, avaliou-se que 80% desses recursos eram destinados apenas para gastos pessoais (como pagamento de pensões e salários)! Dos nossos outros 20% restantes, ainda deve-se subtrair gastos com dívidas e outras despesas correntes para só então saber o que fica destinado para o investimento (a ser dividido para as três forças…). O que significa que, dos aproximadamente 53 bilhões e 143 milhões de dólares, foram gastos em novos equipamentos menos de 10 bilhões de dólares (um breve comparativo com os Estados Unidos, o maior gastador do mundo, que segundo o SIPRI, em 2010, atingiu a incrível marca de 650 bilhões de dólares em gastos militares).

E onde entra a tal indústria de Defesa nesse cenário? Bom, sendo a indústria de Defesa aquela que vende produtos militares, sistemas de armas, armamentos e materiais para uso militar, é dessa tal indústria que o governo compra quando precisa reaparelhar suas forças armadas.

Se o Brasil não possui uma indústria razoável nesse setor, fica refém daquilo que as grandes empresas do exterior querem nos vender. Porque em se tratando de comércio de equipamentos estratégicos, como o próprio nome diz, tem que haver interesse do país vendedor em fornecer esse equipamento para o outro, já que se está capacitando-o. Ademais, a importância do tema é elevada, principalmente em um momento em que os governos brasileiros possuem tantas aspirações globais como hoje e que querem se apresentar como uma potência mundial. Portanto, pode-se dizer que tanto o orçamento militar quanto a questão da indústria nacional de Defesa são dois caminhos incertos, que estão longe de seu destino, não se sabe como vão e nem para onde vão, mas apenas sabe-se que devem ser trilhados.

Bom, para evitar que fique muito longo, vamos parar por aqui. O objetivo desse post era mostrar a relação entre orçamento brasileiro e a Indústria de Defesa. Para os próximos explicaremos um pouco melhor em que vias anda a nossa indústria e o que houve com ela nos últimos anos, além de apresentaremos alguns termos comuns da área. Até lá!


Categorias: Defesa, Paz, Polêmica, Política e Política Externa, Segurança


1 comments
Henrique Neto Santos
Henrique Neto Santos

Indústria de Defesa Nacional foi um excelente tema pra ser debatido aqui no blog. Este foi um dos principais temas abordados na Convenção Nacional da ADESG em 2011. Pode ser também relacionado com a força do lobby nas decisões políticas, que acabam afetando os rumos dos conflitos em escala global.