O novo espetáculo aéreo

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“FX”, em inglês, é uma sigla muitas vezes utilizada para designar “efeitos especiais” (“effects”). Até onde eu saiba, o F-X2 não tem nenhum significado em específico com relação à sigla, mas causou uma boa repercussão, assim como um verdadeiro espetáculo, há algumas semanas, quando o programa de revitalização da aviação de caça do Brasil foi finalmente concluído, com a opção pela compra dos aviões suecos. 

A história por trás dessa aquisição vai longe (são mais de dez anos), e creio que todos os leitores conheçam minimamente, ou tenham visto em algum momento na mídia, sobre como foi o processo de aquisição F-X2. Com a oferta de aviões norte-americanos, suecos e franceses, tivemos todo tipo de reviravolta. Em 2009, a opção favorita em diversos sentidos, a francesa, teria sido escolhida em definitivo apenas para que a informação fosse completamente retificada semanas depois. Desde então, e com a saída de Lula e Sarkozy de cena, a opção norte-americana, mais sólida, parecia a vencedora. Mas, no fim das contas, foi a zebra que levou o troféu, com a vitória do Gripen sueco. 

A análise das opções era bem simples, e boa parte das reportagens sobre o assunto se fia nisso. Escolher os caças franceses seria interessante pelo histórico de operação (usamos aviões da França desde os anos 70) e familiaridade com as partes. O avião americano seria o melhor em termos de uso comprovado e confiabilidade. E o sueco seria o que mais se adéqua às necessidades de desenvolvimento da indústria de defesa. Aqui está o diferencial da escolha. Muitas análises colocam um peso determinante na questão da espionagem norte-americana: há quem diga até que a escolha já tinha sido feita (estamos em ano de Copa e tudo mais), e que a compra dos Boeings foi cancelada após o estardalhaço das denúncias de Edward Snowden. 

Mas tenho lá minhas dúvidas se isso foi realmente um determinante. É óbvio que foi um fator de peso extremamente relevante, mas pode ter sido ao mesmo tempo uma “desculpa conveniente”, por assim dizer. Primeiro, a oferta sueca era a mais barata, e isso pesa demais em contexto de crescimento econômico limitado. Ademais,todas as ofertas propunham a instalação de linhas de montagem no país, mas apenas a oferta do caça sueco contemplava um item indispensável para o planejamento da defesa nacional, que é o desenvolvimento de tecnologia. Mais que a famigerada (e nebulosa) transferência de tecnologia de que Paris tanto falava, montar o caça sueco vai trazer (e desenvolver) know-how nacional, e isso é um dos pontos principais dos documentos de defesa nacional, principalmente a Estratégia Nacional de Defesa. Após as desavenças com Washington, não havia clima para manter um negócio dessa magnitude, e pode ter sido o “empurrão” necessário para uma opção que já era aventada mas não tinha o interesse político para ser concretizada. E isso já mudou, é claro – durante sua visita em Davos, nessa semana, a presidente Dilma teve tempo para, entre conversas com presidentes e primeiros-ministros, uma reunião com um dos chefões da SAAB. 

Nem tudo é perfeito. Tecnicamente os caças que existem são protótipos, e só virão pra valer prá lá de 2018. Enquanto isso, a Suécia vai mandar caças emprestados para “quebrar o galho”, especialmente nesse período de Copa e Olimpíadas. E o próprio aparelho tem seus críticos – sendo o mais leve dos concorrentes, teria pouca autonomia de voo (carrega menos combustível), além de menos carga útil. Mas no estado de urgência em que a aviação de caça da FAB se encontra, já havia passado (e muito) da hora de se fazer a escolha. A grande questão para o futuro é saber se a compra dos Gripen vai ter o efeito esperado, fazendo com que haja desenvolvimento industrial sensível para que possamos evitar que tenham o mesmo destino dos Mirage e F-5, revitalizados e empregados muito além de sua vida útil por falta de reposição.


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