O novo 1984

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Fonte: internatcionalpress

1984 é um romance (e clássico literário) bastante conhecido por tratar de temas polêmicos para sua época. George Orwell escreveu e publicou o livro anos depois da Segunda Guerra Mundial e seu objetivo consistia em retratar um pouco de uma sociedade controlada e espiada por um governo autoritário e centralizador. Seu principal personagem, Winston, vive condenado em meio a um forte controle do próprio Estado e é daqui que vem o termo “Big Brother” (Grande Irmão), ou seja, aquele que observa e vigia os cidadãos. 

O livro é polêmico, sem sombra de dúvidas. Por que? Porque, embora fictício em seu caráter amplo, a obra é extremamente real e denota uma severa crítica aos regimes nazifascistas e, também, socialistas da segunda guerra e da Guerra Fria, respectivamente. Hoje, completa-se 64 anos de seu lançamento e um pouco de sua importância pode ser encontrada aqui

E o que seria o “novo 1984”? É o PRISM, um programa da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, o qual teria obtido dados sigilosos de inúmeros usuários do Facebook, Apple, Yahoo!, dentre outros com a justificativa de que as informações adquiridas seriam necessárias para o combate ao terrorismo no país. O PRISM foi legalizado por George W. Bush e referendado por Barack Obama. Quem diria, heim? E o pior é que isso não é ilegal: o Patriot Act assinado pelo primeiro presidente permite a invasão de lares, espionagem e interrogatórios em caso de real (ou hipotética) ameaça à segurança norte-americana.

Muitos acreditam que a escalada na violência e a postura unilateral dos Estados Unidos foram o que de pior aconteceu pós 11 de Setembro de 2011. Mas julgo o contrário. A pior coisa foi o fato de tudo, tudo mesmo, ser justificado com tal data. Afinal, quaisquer posturas oficiais de Obama podem ter como razão a dita ameaça terrorista. De pior fica a mais ainda controvertida política externa norte-americana, uma vez que o episódio causou mal estar na Europa, que vem tentando desenvolver sistemas de proteção de informações da “Era Digital”. 

1984 é um clássico não por sorte, mas por mérito. São com episódios como o PRISM que o “espião” aparece com total realidade. Todo mundo sabe que a exposição de informações pessoais em redes sociais é perigosa, mas nada justifica a postura oficial dos EUA. Ou melhor, justifica sim, o terrorismo. Foi o jornal “The Guardian” que fez o furo de reportagem e publicou a primeira notícia sobre as espionagens. Por fim, por curiosidade, abaixo está o mapa com dados obtidos em 2007 a respeito dos níveis de coleta de dados por país, variando de verde (menor grau de vigilância) a vermelho (maior grau de vigilância):

Fonte: The Guardian


Categorias: Estados Unidos, Polêmica


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