O mundo mágico do futebol

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A semana foi movimentada no cenário do esporte mais popular do mundo, com a proximidade da Copa das Confederações (um evento “teste” para a Copa do Mundo do ano que vem e que vai por à prova boa parte da organização do evento e todo o dinheiro desperdiç… digo, investido pelo Brasil) e, com grande estardalhaço, da ida do atual “showman” do esporte brasileiro para um grande time da Espanha. A milionária transferência de Neymar para o Barcelona ocupou boa parte das manchetes esportivas e sua apresentação foi um verdadeiro espetáculo.

Mas… a sensação é de que tem alguma coisa errada. E não é em termos futebolísticos – mesmo que tenha havido outras contratações mais vultosas em termos absolutos e tendo quem diga que foi um negócio da China pelo preço que o Barça pagou. Ou a descoberta de que o negócio possivelmente já estivesse fechado há mais de um ano. O problema aqui é vermos como futebol parece viver uma realidade descolada da vida comum, em uma Espanha que enfrenta crise econômica ainda grave. Nessa semana, por exemplo, apesar dos sinais de recuperação, atestou mais um mês de crescimento negativo na Zona do Euro. Apenas a Alemanha (que curiosamente está mandando no cenário futebolístico europeu) teve crescimento, e ainda assim minúsculo. A crise se reflete no esporte, com jogadores preferindo ir para times menores, mas em centros onde o dinheiro está fluindo, como Rússia ou países árabes. E os times que conseguem torrar grana nos países em crise são justamente os que têm grandes fundos de investimento ou milionários excêntricos por trás – como o Paris Saint-German, novo passatempo dos banqueiros catarianos.

Talvez a questão seja o modelo de gestão, já que os dois grandes da Espanha vivem de muito mais que rendas de torneios e cotas de televisão, mas de sócios e marketing pelo mundo. Os outros times de lá, que vivem o mundo real, acabam penando nesse cenário. Desse modo, é interessante ver o conto de fadas que aparece pela televisão, que contrasta com a realidade de protestos, reforma econômica e insatisfação. Quando falamos em futebol, vemos um dos poucos aspectos realmente globais da sociedade atual (basta lembrar que existem mais países filiados à FIFA que à ONU…). E o mundo todo tem dinheiro de sobra para sustentar essa indústria bilionária. Pena que não possam fazer o mesmo pela Espanha como um todo.


Categorias: Economia, Europa, Mídia


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