O maior espetáculo da Terra

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Não deu nem dois meses e já temos mais notícias sobre terrorismo na mídia ocidental. Enquanto nos EUA mais um suspeito de envolvimento com os atentados na maratona de Boston era investigado e, segundo o FBI, acabou morto após atacar o agente que o interrogava, surgem notícias aterradoras da Inglaterra, em que um homem foi aparentemente decapitado na rua por dois agressores. 

A grande diferença? Bem todos se lembram do jogo de gato e rato que foi identificar os autores do atentado de Boston, com mobilização até na internet pra descobrir os possíveis culpados na multidão. Naquele caso, o anonimato jogava a favor dos agressores e da sensação de “terror” decorrente. Mas na Inglaterra? As informações são difusas, mas ao que se sabe os próprios agressores incentivaram as testemunhas a filmar a violência. O vídeo de um deles, com as mãos ensanguentadas e dizendo uma mensagem jihadista é curto, mas chocante. Pela violência do ataque, o fato da vítima ser um militar (que remete à participação do Reino Unido em intervenções mundo afora) e o impacto visual, não é difícil suspeitar de mais um caso de terrorismo “celular”, aquele em que não é uma organização, mas indivíduos que resolvem dar sua mensagem à força para o mundo.

Falamos disso no caso do ataque em Boston, mas dessa vez existe a novidade da exposição dos autores. Os suspeitos, que seriam de origem nigeriana, não se importaram em esconder a identidade, entraram em confronto com a polícia e foram baleados – as informações são desencontradas, mas podem ter morrido no tiroteio. Em poucas horas tivemos o ataque, a vítima, a repercussão e o desfecho. Hoje em dia, quando qualquer pessoa tem um celular na mão, a oportunidade para o terror não tem hora. Antigamente, quando as comunicações eram demoradas, o terrorismo era muito mais dirigido às figuras importantes (matar o presidente dos EUA, o arquiduque da Áustria, e por aí vai) pra causar impacto real. Hoje em dia não. Basta dois jovens com uma bomba cheia de pregos para matar 3 e mutilar dezenas num espetáculo de violência que choca o mundo em questão de minutos, pelas câmeras das próprias testemunhas. 

Ainda é possível questionar se esse ataque na Inglaterra foi mesmo terrorista, e podemos estar redondamente enganados. Mas tudo leva a crer que sim. A grande questão aqui é se estamos vendo uma nova era de terrorismo, em que a facilidade em conseguir conhecimento para causar destruição e o isolamento dos indivíduos gera novos terroristas sem a necessidade de uma organização própria. Basta um desequilíbrio emocional ou uma ideia fixa para que um cidadão comum se torne uma arma (e a sociedade moderna cria pessoas assim aos montes). Ou talvez uma era em que o impacto mais importante seja não pelo número de vítimas, mas pela brutalidade e impacto visual das mortes ou das consequências do ataque, que parecem ser a razão desses dois casos. O tempo dirá.


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