O Lula lá?

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E termina a era Lula. Pelo menos formalmente em atos internacionais enquanto presidente brasileiro, o encerramento da 40ª Cúpula do Mercosul hoje em Foz do Iguaçu constituiu o último ato de Lula no poder. Ato este marcado por um pedido de Evo Morales relativo à possibilidade de Lula pleitear a próxima vaga de Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o boliviano, Lula possui a “capacidade de persuadir os opositores, de integrar os povos, de nos convencer e nos proteger”.

A popularidade de Lula após o final de seus dois mandatos não desmente esta afirmação. Segundo pesquisas oficiais divulgadas nos últimos dias, sua aprovação chega a 87% em todo o território nacional. Os índices demonstram avaliações positivas do governo e boas expectativas para a continuidade política com Dilma Roussef, sua sucessora no poder.

Contudo, será que estas informações são suficientes para avaliar a capacidade de Lula em pleitear o cargo de mais alto funcionário das Nações Unidas? Este assunto já foi tratado no início do ano pela colaboradora Andréa em um interessante post (disponível aqui), e merece ser retomado no momento em que novamente se cogita esta possibilidade de ver o Lula lá.

Entretanto, segundo o próprio Lula, ele não possui a pretensão deste cargo e afirmou, de maneira ponderada, que este deve ser ocupado por um técnico competente, um funcionário do órgão. [Suas declarações podem ser lidas aqui ou aqui.]

Efetivamente, mostra-se de notável importância o reconhecimento de que a Secretaria Geral da ONU deve refletir, nos dias de hoje, mais do que apenas a imagem de conciliação internacional. Para que a Assembléia Geral das Nações Unidas se configure em um espaço efetivo de diálogo entre os Estados com vistas à cooperação, a cada dia percebe-se a importância de uma liderança que desafie os paradigmas atuais e possa abrir novos caminhos e novas oportunidades de ação – aspectos que exigem, além de carisma e boa vontade, conhecimento técnico na área.

Talvez Lula reúna características marcantes – positivas e negativas – que o tornaram memorável na história política brasileira. Talvez a ONU ainda possua desafios maiores do que se possa imaginar para que sua ação se torne (mais) efetiva em tantos âmbitos – políticos, econômicos e sociais – que não se possa creditar a apenas um cargo tamanha responsabilidade. Mas, respondendo ao questionamento final da Andréa em seu post já citado sobre o assunto, dadas as atuais condições, hoje nos parece que não se pode mesmo imaginar o Lula lá…


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