O Lula é pop e samba!

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Acabou o carnaval 2012 no Brasil, mas a figura de “bom garoto” do ex-presidente parece estar longe de chegar ao fim. Quando ainda estava em seu mandato, era fácil ler notícias do Lula nas páginas sobre política, economia e, evidentemente, assuntos internacionais que envolviam a política externa brasileira. Entretanto, desde que a presidente Dilma assumiu o posto, tornou-se mais habitual ver o rosto do petista nas seções de personalidades e famosos.

Como é do conhecimento da grande maioria, Lula foi o tema principal do enredo da escola de samba “Gaviões da Fiel”, intitulado Verás que o filho fiel não foge à luta – Lula o retrato de uma nação. Por motivos de saúde envolvendo seu tratamento contra o câncer, ele não marcou presença, mas a ex-primeira-dama, Marisa, o representou no penúltimo desfile em São Paulo.

Pois bem, e o que isso nos revela? Logo que vi toda movimentação da imprensa, seja na televisão, na internet e até mesmo no rádio, me lembrei de como a figura pessoal do Lula ajudou bastante na imagem de seu governo. É evidente que este é apenas um aspecto de um conjunto de fatores que influenciaram seu cargo presidencial, mas é o intuito de análise neste post.

Lula é, em partes, o retrato do que Max Weber, considerado um dos fundadores da Sociologia, denomina poder ou dominação carismática, na qual “a autoridade é suportada graças a uma devoção afetiva por parte dos dominados”. Esta caracterização abarca desde heróis, líderes autoritários e profetas até demagogos e políticos, sendo que o ex-presidente se situa neste último patamar. Diferentemente das outras tipologias de dominação (veja aqui), a carismática age sobre princípios pessoais e se baseia no carisma e na virtude do líder.

Houve e ainda há, com Lula, a ideia de uma devoção afetiva e de uma oratória ímpar. Basta voltarmos no tempo e recapitularmos o que Getúlio Vargas representou para a população da época, era “o pai dos pobres e a mãe dos ricos”. O debate se estenderia com os emblemáticos John Kennedy e Mahatma Gandhi, por exemplo, que se enquadram nesta perspectiva. No caso brasileiro, a personificação realizada no desfile da “Gaviões da Fiel” na última semana, no qual a bateria representou Lula enquanto operário, é o retrato da admiração e da identidade nacional.

Ainda mereceriam apreciação a relação cultural do Brasil com o carnaval e o próprio futebol…mas o que ficou bem claro foi a recuperação da importância social que Lula possui. Existem rumores recentes colocando-o como o ideal presidente do Banco Mundial em virtude de sua gestão competente, do prestígio alcançado com países ricos e, com certeza, do seu carisma mencionado anteriormente.

Será que Lula volta agora ou só nas próximas eleições? Talvez seja cedo para afirmar alguma coisa, mas ele ainda estampará muitas capas de revistas e artigos de jornais.


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