O lugar mais radical e interessante na Terra?

Por

Há cerca de uma semana, me deparei com um artigo interessante. O seu título: Poderia ser o Equador o lugar mais radical e excitante da Terra? Segundo a autora, uma correspondente do jornal britânico “The Guardian”, alguns elementos recentes deste país indicam um novo paradigma para o desenvolvimento. Muito do que foi construído através da vontade política do governo teve de subjugar condições econômicas incertas. Ainda assim emergiu um novo modelo.

Muito do que é comentado no artigo remete a temas já tratados aqui no blog, entre eles cabe ressaltar: a instabilidade política, os problemas econômicos que levaram a dolarização e a forte desigualdade social. Além disso, um outro fator (relegado pela autora) teve grande influência no Equador de hoje. Refiro-me à corrupção, dando ensejo a cenas tragicômicas, como ousadas tentativas de fuga do país ou mesmo ex-presidentes acionando a Corte Interamericana dos Direitos Humanos contra seu próprio país. Nem mesmo a Junta de Salvação Nacional, constituída em 2000 com participação militar, foi capaz de efetivamente salvar o país.

O martírio, pelo menos o político, parece ter terminado. O governo atual é o mais estável dos últimos tempos, fundado em uma nova constituição e com índices de aprovação acima dos 70%. Muitas são as críticas ao presidente Correa, internas e, por vezes, externas. Contudo, é inegável que houve uma melhora sensível em diferentes aspectos. No artigo em questão são citados fatores que promoveram melhoras, como o aumento das receitas advindas da extração de petróleo e dos impostos para empresas privadas, assim como a expansão dos gastos públicos. Podemos ainda destacar os investimentos sociais (que dobraram) e a diversificação dos parceiros comerciais. Como conclusão, a autora toma o exemplo equatoriano como inspiração, uma vez que, para ela, o resto do mundo poderia aprender muito com este experimento em curso no país.

Resta saber, qual a direção da revolução cidadã? O aumento da arrecadação pública possibilitou a expansão de programas e políticas que visam o bem-estar da população. São iniciativas que interministeriais baseadas em objetivos claros. Um ponto segue indefinido. Haverá uma continuidade democrática no Equador? Caso Rafael Correa projete sua permanência no poder por vários mandatos consecutivos, tal como Chávez na Venezuela, certamente fortalecerá as vozes que afirmam haver um plano de poder pessoal em andamento. Uma decisão errada, neste sentido, pode ameaçar o conquistado até agora e devolver o país para aquele cenário de instabilidade. Quem sabe Correa não encontre um sucessor tão ou mais aprovado que ele mesmo. Dilma, sucessora de Lula, parece ser um exemplo a ser considerado.


Categorias: Américas


0 comments