O lobby de Israel?

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[Primeiramente, gostaria de dizer que o objetivo do post não é defender uma posição, mas sim sim suscitar o debate.]

Há muito já se vem discutindo o namoro entre Israel e os Estados Unidos. Uma relação duradoura que já teve altos e baixos, já enfrentou pequenas crises, e agora novamente aparenta ter atingido um novo pico de estabilidade. A mais recente tensão, no ano passado, emergiu quando Obama quis reiniciar as negociações sobre os assentamentos e obteve a aceitação da Autoridade Nacional Palestina, logo no dia seguinte, Israel reiniciou as construções dos assentamentos judaicos e a negociação de paz paralisou-se mais uma vez. No inicio o tio Sam manteve-se assertivo quanto a exigir que Israel prosseguisse com as negociações. Mas logo a pressão cessou e tudo retornou ao seu devido lugar.

Então, analisando o momento recente (e considerando as experiências anteriores) o que é isso que impede que os Estados Unidos mantenham grande pressão sobre o governo israelense como o faz com diversos outros países do mundo? O que é isso nos faz pensar em suposta imunidade do governo de Israel no Oriente Médio e que lhe permite receber a maior quantia do orçamento de ajuda externa dos EUA (em 2004 chegou a US$ 140 bi)?

A resposta para essa pergunta seria a existência de um lobby pró-Israel composto de organizações, congressistas e acadêmicos que realizam ações em diversos campos da sociedade para influenciar os tomadores de decisão a agirem em favor dos governos israelenses. Esse tal lobby agiria desde o financiamento de campanhas de congressistas (com volumes consideráveis de recursos), oferecendo apoio aos opositores dos candidatos críticos de políticas do país judaico até tentativas de transmitir uma boa imagem em meios de comunicação diversos para evitar contaminação de críticas de opiniões políticas neutras. Não seria algo centralizado, não teria uma liderança e nem mesmo seria organizado.

Diversas organizações como a AIPAC (American Israel Public Affairs Committee) e thinks tanks especializados participariam de uma empreitada por influenciar o governo estadunidense a adotar ações que beneficiassem Israel (em detrimento do interesse estadunidense ou não), impedindo ganhos de longo prazo em negociações pela paz ou até mesmo mantendo o alto orçamento de ajuda militar ao país.

Assim foi a descrição que gerou uma grande polêmica nos Estados Unidos em 2005, quando dois acadêmicos, Stephen Walt e John Mersheimer, publicaram o artigo O lobby de Israel descrevendo a grande influência que esses grupos teriam na ação internacional do país. O lobby seria o responsável por muito das polêmicas ações internacionais do país, como a guerra do Iraque ou até mesmo a inação dos EUA frente ao impasse no processo de paz entre Israel e Palestina.

Bom, embora hajam alguns pontos bem controversos nessa argumentação, não se pode negar que há grupos bem fortes pró-Israel nos Estados Unidos, ainda mais em um país a população possui uma cultura de participar de associações diversas bem arraigada e onde o lobismo é atividade permitida.

A questão é saber se esse tal lobby é tão forte a ponto de influenciar os Estados Unidos em direções opostas a sua vontade ou se ele não existe porque cabe muito bem dentro dos interesses do tio Sam? Será que também não haveriam lobbies similiraes ou mais fortes? Ficam essas provocações para se pensar…

[Para o artigo O lobby de Israel clique aqui. Para uma opinião diferente, clique aqui. Para uma notícia sobre assunto, clique aqui]


Categorias: Polêmica


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