O fim que é recomeço

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E nesta mítica sexta-feira 21/12/12, o assunto no blog não poderia ser outro que o fim de uma era histórica, segundo o calendário maia – ou o suposto “fim do mundo”, segundo os fins comerciais e midiáticos dos nossos tempos… 

Tantas profecias e especulações em relação ao um possível “fim do mundo” parecem refletir a influência hollywoodiana sobre o imaginário mundial, alimentando uma fantasia que atormenta alguns [leia aqui ou aqui], diverte outros tantos [confira aqui o trailer do fim do mundo narrado por Galvão Bueno], e certamente gera altos lucros a determinados setores da sociedade. São impressionantes os milhões de turistas e de investimentos públicos e privados para as celebrações na Guatemala e no México, onde estão concentrados os maiores aglomerados populacionais de origem maia. [Estima-se entre 6 e 9 milhões a população maia atual na América Central, especialmente nestes dois países.]

Ao mesmo tempo, os herdeiros vivos desta antiga e inigualável civilização infelizmente não merecem a mesma atenção que suas lendas manipuladas por nossa sociedade do consumo. Vivendo em estado de miséria – que afeta 73% da população descendente maia na Guatemala, por exemplo – os povos de origem maia sofrem hoje em dia racismo e discriminação, além da falta de terras para o cultivo de alimentos e a problemas em relação aos serviços de saúde e educação.

Ironicamente, uma exposição sobre a cultura maia foi realizada recentemente em um dos museus mais importantes de Paris, atraindo a atenção de toda a alta sociedade europeia… valorizamos o passado e esquecemos o presente? Parece que sim.

Ao fim de uma longa era de aproximados 5.200 anos, segundo as históricas previsões maias, a data de hoje simboliza apenas um recomeço, com a esperança de melhores dias que sempre cultivamos a cada final de ano. Acreditando em uma nova era de espiritualidade renovada, esperemos, pois, que toda esta atenção voltada aos maias durante esse ano de 2012 possa vir a promover um real impacto positivo nas condições de vida de seus descendentes atuais, nada semelhantes a todo o “glamour” das comemorações oficiais deste dia…


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