O fenômeno do Femen

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Um grande público ocupa as ruas da cidade. Próximo à barreira de proteção, manifestantes protestam contra as mais diversas causas, com cartazes, bandeiras e apitos. Protegidos pela força policial, eis que surgem presidentes, ministros e representantes do poder público. As câmeras focalizam tais personalidades até o momento que surgem várias mulheres com palavras escritas pelo corpo, na maioria louras, de boa aparência, e o mais polêmico: sempre estão com os seios á mostra.

Essa é uma das cenas mais comuns nos dias atuais. Os protestos ocorrem todos os dias, contra os assuntos mais variados. São contra a política econômica, o machismo, a polícia, a indústria de cosméticos ou a realização da Copa do Mundo de futebol. A única coisa que não muda é a forma de protestar. E assim vão se tornando famosas, dignas de curiosidade. Aos poucos recebem apoiadores e pessoas que às odeiam, desmerecem suas causas ou a falta delas. Assim surge o fenômeno Femen. 

Nascido em 2008, o Femen se tornou um grupo internacional de grande repercussão e de ideias inconclusas. Até o momento não se sabe quais são as pautas de suas lutas. Praticamente em todos os tipos de eventos podemos nos surpreender com um momento de protesto, desde a posse do novo Papa à reuniões de blocos econômicos. Aliás, a falta de clareza das propostas aliada a grande quantidade de aparições gera uma das maiores críticas ao grupo: que ele não tem nada a dizer. Assim, alguns a definem como um grupo que utiliza mulheres bonitas para a sua própria promoção e de seus membros.

A falta de proposta é uma crítica só menos negativa do que a afirmação que escolhem quais mulheres ficarão nuas, utilizando-se do padrão de beleza das participantes. A acusação de seleção das mulheres que ficarão seminuas ultrapassa uma simples crítica. É ela a principal responsável para que uma considerável parcela das feministas desconsidere o Femen como representante de suas lutas, mesmo este sendo o grupo mais famoso e de maior sucesso atualmente. 

A liberdade sexual e do corpo está ligada ao movimento feminista no século XX, na tentativa de se quebrar os dogmas contrários a nudez e o prazer feminino. Entretanto, o problema do Femen está vinculado a uma teoria intitulada de “tabuleiro das relações de poder”. Nela, acredita-se que qualquer ação humana ou tecnologia é imparcial e utilizada com uma finalidade, mas que a finalidade pode ser mutável. Por exemplo, a internet sempre será imparcial, mas pode ao mesmo tempo ser imparcial tanto para o controle individual como para grupos como o anonymous quebrarem monopólios da indústria de produção artística, disponibilizando músicas e filmes gratuitos, ou invadindo sites de notícias que julgam manipuladores da informação. A nudez feminina, que surgiu como arma da liberdade feminista, também pode ser usada por vários motivos. Desde a afirmação da mulher, como também para denegri-la, ou no caso que acusam o Femen, como ferramenta para se criar um padrão de beleza opressor a maioria delas. 

A verdadeira intenção do grupo, seu poder de defender ideias claras e de ser popular em seus protesto além do recente momento em que é o “grupo da moda” ainda não foi provado. Na verdade, a maneira como ficará marcado ainda será construído nos próximos anos. O Femen não seria o primeiro grupo injustiçado durante seu tempo que no decorrer dos anos provaria sua importância para a luta de um ideal ou de ideais. Também não seria a primeira decepção de um movimento que se acaba da mesma maneira que surgiu. O que se sabe é que ele é assunto recorrente e está incomodando a muitos com suas constantes aparições, tem muito sucesso em chamar a atenção. Veremos no futuro em que será utilizado esse sucesso e a continuação dessa história de fama, aparições na mídia, protesto e nudez. 


Categorias: Mídia, Polêmica


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