O empreendedorismo social – PARTE 1

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Primeiro, vamos às definições:

Empreendedorismo social trata de abordar de forma inovadora, prática e sustentável os problemas da sociedade, enfocando os marginalizados e os mais carentes. É um termo que captura o valor único dessa abordagem para temáticas sociais e econômicas, que vai além da divisão de disciplinas e temas, pautando-se em valores e práticas comuns aos empreendedores sociais, independente da área de atuação.” (Fundação Schwab – Suíça)  

Empreendedor social é aquele que promove mudanças que servem à comunidade por meio da identificação de novos processos, serviços e produtos, criando uma nova maneira novas formas de sustentabilidade e replicabilidade da atividade e/ou soluções encontrada. (Klaus Schwab, Fundação Schwab – Suíça)”  

A partir do final do século XX uma situação paradoxal formalizou-se. O capitalismo moderno e a aplicação das teorias neoliberais levaram a duas realidades opostas. De um lado, avanços tecnológicos, das informações e do conhecimento; os quais ensejaram oportunidades maiores que em qualquer outra época da história da humanidade. Por outro lado, é crescente o número de regiões que apresentam níveis humanos e sociais, em termos de bem-estar, entre os mais baixos também de nossa história. A valoração produtiva do sistema em prática funciona como um catalisador desses impactos, promovendo o crescimento econômico sem a contrapartida de políticas eficientes para lidar com os que não conseguem se inserir nessa dinâmica.

O tratamento à pobreza já atravessou diversas etapas – faço referência a definição do professor Edson Oliveira – a era da ajuda pela ajuda, típica da pré-história; a era da caridade, da época dos grandes impérios, pautava-se na influência religiosa e política da Igreja; a era da filantropia, prenúncio da passagem ao modelo capitalista e seus inerentes efeitos sociais; e por último a era das políticas sociais, essencialmente do pós 2ª Guerra Mundial, o Estado tomava a questão social como sua responsabilidade – em seus tempos áureos surgiu a concepção de Estado de Bem-Estar Social. A evolução dessa temática evidencia que a pobreza, assim como outras temáticas sociais, não pode mais ser tratada como questão de filantropia ou caridade, à medida que tais medidas não fornecem elementos para a superação dessas realidades, mas, em realidade, promovem a sua perpetuação. Frente a ineficiência estatal, iniciativas da sociedade civil cresceram e, eventualmente, angariaram o apoio do Estado.

Grande atenção sempre receberam os empreendedores de negócios, em especial a partir da segunda metade do século XX. São diversos os estudos que procuraram identificar seus valores pessoais, auto-controle e orientação para o risco, para assim traçar paralelos entre a mudança e o perfil dos empreendedores. Padrões foram identificados e viraram prática, em esferas privadas e públicas. Neste ínterim, diversas iniciativas surgiram para enfrentar desafios sociais – muitas das quais levaram a grandes mudanças no tratamento médico, no sistema de ensino, na preservação ambiental, nos direitos humanos. As denominações utilizadas, de filantropo a caridoso, não compreendem suas atuações por completo. Citando outro autor, David Bornstein: “as teorias de mudança social se concentram mais em como as idéias mudam as pessoas do que em como as pessoas mudam as idéias”.

Nas próximas semanas duas semanas tratarei de dois exemplos de empreendedores sociais, um no campo da educação e outro no campo da saúde. Como indivíduos alteraram idéias e padrões? E como esta mudança afetou a sociedade. Práticas, por vezes simples, mas que com a vontade de pessoas motivadas, cheias de energia e mesmo obsessivas, tornaram-se campeãs.

Alguns links (em inglês) para os interessados: AQUI, AQUI


Categorias: Política e Política Externa


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