O desafio do Mali

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No dia em que os holofotes se voltam para a Rússia, o gigante que faltava ser admitido na Organização Mundial do Comércio, vale a pena destacar um fato importante, mas talvez não tão destacado, do outro lado do globo. Um novo governo provisório foi formado no Mali, no norte da África.

Para entender a importância deste fato, é preciso dizer que o Mali, país africano que já foi considerado modelo de democracia para o continente, sofreu há exatos 5 meses um golpe militar que depôs o governo vigente, aumentando enormemente o nível de instabilidade política e territorial no país. [Veja o histórico dos principais acontecimentos desde o golpe aqui.]

A independência do norte do Mali – também conhecida como região de Azawad – é reivindicada pelo povo tuaregue por meio do Movimento Nacional de Libertação de Azawad, que luta por esta região do Saara há centenas de anos [leia mais a respeito aqui]. Paralelamente – e dada a fragilidade política – o grupo radical islâmico Ansar Dine, ligado à Al-Qaeda, reivindica poder e influência na área e no país. Polêmicas envolvendo o recrutamento de crianças nestes conflitos já vieram à tona, gerando preocupação internacional.

Estes dois grupos distintos lutam entre si, mas possuem como inimigo comum o governo central. E foi esta fragilidade que supostamente motivou o golpe militar – enfraquecendo, paradoxalmente, ainda mais a democracia no país. As consequências regionais e internacionais deste fato também devem ser remarcadas. [Entenda melhor o caso por meio dos artigos disponíveis aqui e aqui.]

Assim, a formação de um governo provisório no início da semana renova a esperança nacional pela volta de segurança e paz no país, evitando um conflito generalizado. O desafio do Mali é grande: restaurar a unidade política, lidar com as reivindicações territoriais e buscar a estabilidade no país são etapas de um longo e complexo processo. Para voltar a ser considerado modelo de democracia no futuro, o Mali ainda deve percorrer um longo caminho, cujos primeiros passos parecem, finalmente, estar sendo dados. Resta saber como serão os próximos… 


Categorias: África, Conflitos, Política e Política Externa


2 comments
Bianca Fadel
Bianca Fadel

Ótimo comentário, Jéssica! De fato, a crise alimentar é um fator agravante à situação do Mali e de toda a região, dificultando ainda mais o processo de desenvolvimento.Apareça sempre pelo blog!Grande abraço!

Jéssica
Jéssica

Eiii,ótimo post!O triste é ver que aliado a todos esses problemas pelos quais passa o país, a região do Sahel, onde se localiza Mali, passa por umas das piores crises de fome dos últimos anos.Abraços