O Complicado Caso Afegão

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Olha só o que eu tenho aqui!

Existe uma corrente de pensamento na economia que postula a necessidade de se deixar a economia fluir sem interferências estatais. Esse paradigma da teoria econômica afirma que há sempre uma mão invisível controlando o mercado, e explica as crises como simples oscilações, que com o tempo se extinguirão, uma vez que o sistema agirá como um giroscópio para atingir o equilíbrio e a estabilidade.


Agora os Estados Unidos estão constatando em sua experiência no Afeganistão uma espécie de mão invisível também. Só que substituindo alguns elementos centrais, como economia por política interna do país, e interferências estatais por interferências internacionais. Nesse sentido, quanto mais eles têm buscado controlar e resolver as questões internas afegãs mais as coisas parecem fugir ao controle.


A OTAN tem constantemente matado civis, que em teoria, deveriam estar isentos dessa investida contra o Talibã. O presidente afegão, Hamid Karzai, está mais uma vez caminhando para um governo cercado pela corrupção e autoritarismo. O Talibã rejeita todo e qualquer apelo pela paz tanto de organizações internacionais como de autoridades locais.


Assim, no mesmo espaço de tempo que a OTAN e os EUA intensificaram seu combate ao Talibã, Karzai baixou um decreto que lhe garante o completo monopólio sobre a escolha dos membros da Comissão para Queixas Eleitorais (ECC). Esse órgão é de suma importância para as eleições parlamentares que serão realizadas no dia 18 de setembro, pois funciona como ferramenta essencial ao combate à corrupção e era composto anteriormente por alguns representantes internacionais das Nações Unidas. Há uma centralização dessa fiscalização nas mãos do presidente. Assim, o não veto e a não fiscalização dão mais poder para o presidente eleito por um pleito duvidoso.


Vê-se clássica dicotomia soberania – intervenção nas Relações Internacionais vindo à tona nesses eventos. Mas nesse caso, a ocupação do Afeganistão tem ensinado algumas lições. Se há realmente uma mão invisível que garante o equilíbrio na política interna, não se pode dizer com certeza. Mas pode-se dizer que essa intervenção não tem resolvido problemas internos afegãos, e tem até complicado mais a situação. O que tinha o objetivo de fortalecer a democracia no Afeganistão tem dificultado mais os pleitos e intensificado a violência do Talibã.


Os Estados Unidos e a OTAN estão se comprometendo a cada dia mais na região e aos poucos sentem mais as conseqüências de seus interesses geoestratégicos na região. . .


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