O clube dos sem candidatos

Por

A corrida eleitoral norte-americana segue indefinida, talvez mais do que nunca. Pelo lado republicano, tivemos alguns favoritos, outras ascensões meteóricas (quase sempre acompanhadas de uma decadência tão ou mais rápida) e, mais recentemente, um quadro descrito pelo governador do estado de Vermont, Peter Shumlin, como deprimente. De fato, surgiu nesta semana uma perspectiva ainda mais sombria. As primárias do partido podem chegar ao fim com um vencedor, mas sem candidato à presidência do país.

Quem assiste a um (dos inúmeros) debates entre os republicanos, no mínimo, se diverte. Entre as discussões propostas estão temas importantes como saúde, economia e política externa. Contudo, as abordagens que predominam são prioritariamente pouco construtivas. No último encontro, Santorum insistiu que o Obama Care foi baseado em um plano de gestão da saúde pública criado e implementado por Romney em Massachusetts. Por seu lado, Romney destacava os votos do então senador Santorum, que para ele contradiziam seus ideários conservadores ao apoiar alguns projetos de democratas.

Não, o concordar em discordar não virou o lema destas primárias. Eles fazem questão em concordar no óbvio, como na questão do controle das fronteiras dos Estados Unidos com o México. Em outros momentos se juntam para criticar o Obama Care e prometem revogá-lo logo no primeiro dia de governo. Nos demais tópicos, um vira lobo do outro. Ao destacar o pior dos outros, um candidato pensa que destacará seu melhor. Esta tática funciona em parte, a julgar pelo sobe e desce das pesquisas. No entanto, tomando os efeitos cumulativos de tanta exposição negativa, fica clara uma tendência: o enfraquecimento da candidatura republicana nas eleições gerais.

Talvez o elemento mais trágico do atual contexto é a possibilidade do vencedor das primárias, historicamente garantido como candidato do partido contra os democratas, sair tão fragilizado da disputa que não tenha legitimidade suficiente para representar os que o elegeram. Outros rumores dão conta da pressão sobre outras eminentes figuras republicanas para que entrem na disputa, ainda que tardiamente. Antes tarde do que nunca. Ao passo que vamos, nem Romney conseguirá angariar apoio suficiente para enfrentar Obama. Contando com o histórico recente, nada está descartado, nem mesmo uma mudança radical do quadro e a consolidação de um candidato inconteste para o partido, apesar de tudo.

Neste contexto, destaca-se ainda o deserto eleitoral americano, no qual “a pequena fração de americanos que está tentando escolher o candidato republicano é velha, branca, uniformemente cristã e não representativa do país em geral”.Ou seja, os pré-candidatos estão projetando uma imagem baseada somente em uma porção pequena do eleitorado total. Mais do que isso, estão destruindo as campanhas uns dos outros por este pequeno grupo que não dá conta de congregar o “clube” inteiro. No mesmo país, de acordo com Paul Krugman: “… as regiões nas quais os programas do governo representam a maior parcela dos rendimentos pessoais são precisamente aquelas que estão elegendo esses severos conservadores…”.

Vai entender. O único feliz, ao menos com grande parte de tudo isso, é Obama. Afinal, cada dia mais sua campanha se fortalece enquanto os republicanos esquadrinham os detalhes mais sórdidos de seus candidatos e expõem suas mais diversas fraquezas.  


Categorias: Estados Unidos


0 comments