O adeus de Hillary Clinton

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Apesar de algumas desilusões, a eleição de Obama em 2008 representou a possibilidade dos Estados Unidos buscarem uma espécie de reconciliação com a sociedade internacional. A imagem da superpotência foi deteriorando-se com o passar do governo Bush (filho). Em grande medida, coube a secretária de Estado devolver aquela aura de aceitação que outrora marcara a influência norte-americana.

Será impossível negar que ela tentou. Nos seus quatro anos no cargo, visitou 112 países e participou de 1700 reuniões com líderes mundiais. Sem conquistas notáveis, muito menos atuações que merecerão menção em revisões históricas, Clinton manteve posturas firmes em questões envolvendo China e Irã. Ao contrário de seu marido, não centrou esforços no processo de paz no Oriente Médio.

Este período cauteloso, sem novidades retóricas ou políticas, pode ser atribuído à visão estabelecida pelo presidente Obama. De um discurso abrangente, que clamava os Estados Unidos como a nação indispensável, passou-se a uma abordagem focada em objetivos específicos e adotou-se o princípio da divisão de responsabilidades. De início, reconheceu a impossibilidade de seguir com ambições excessivas.

Mesmo com tentativas no sentido contrário, o terrorismo segue como prioridade na agenda de assuntos internacionais. O ataque à embaixada americana na Líbia, sem contar o evento de ontem na Turquia, pressionou Clinton a apresentar seus argumentos perante os senadores e a própria sociedade. É difícil apontar o pico da atuação da secretária de Estado, mas o ataque em Benghazi lidera a escolha para o pior momento. 

Mudanças climáticas, países emergentes, não proliferação nuclear, Cuba, América Latina, China, Irã, paz no Oriente Médio, primavera árabe, Iraque, Afeganistão. São temas a perder de vista. É virtualmente impossível ser indispensável em tantos assuntos ao mesmo tempo. Talvez a principal conquista da ex-secretária de Estado seja justamente ter mantido a moderação, não cometendo gafes diplomáticas e não desgastando a imagem do país, já tão maltratada em decisões anteriores.

O sucesso não foi retumbante, mas suficiente para deixá-la credenciada a postular-se novamente a corrida presidencial. Uma opção que ela fez questão de não descartar, apesar de não confirmar. Neste caso, terá que lidar com o papel proeminente que Biden, o vice-presidente, ganhou no segundo mandato de Obama. Mesmo o sucessor de Clinton, junto com o governo, terá muito mais campo para explorar e assumir bandeiras da campanha de 2008. Será difícil esse adeus de Hillary virar um até logo. 

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Categorias: Estados Unidos