O adeus a Chávez

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“Até a vitória sempre!”: tendo sido esta a última declaração pública de Hugo Chávez ao final do ano passado, o falecimento do líder venezuelano foi oficialmente anunciado na noite desta última terça. Sua morte talvez não tenha sido recebida com tamanha surpresa (já que há quase três meses o “comandante” não era visto em público), mas ainda assim com grande comoção.

Reações distintas por parte dos distintos atores, já que as opiniões sobre o radicalismo de Chávez não eram (e nunca foram) unânimes. Herói para alguns, vilão para outros, fato é que Chávez marcou uma geração e sua herança política envolve toda a América Latina.

Com seu amplo “projeto bolivariano”, permaneceu 14 anos (!) como presidente, posição que muitos acreditariam que este não deixaria tão cedo, em uma prática nada saudável de concentração excessiva de poder. Renovava, por um lado, sua popularidade com seu carisma e seu foco nos pobres e nos projetos de cunho social e se tornava, por outro, bastante impopular principalmente devido às acusações de violação de direitos humanos, à censura a emissoras de televisão e rádio, e à corrupção no gerenciamento da riqueza do país segundo suas ambições esquerdistas. Contradições que tornaram seu nome conhecido no mundo inteiro durante a última década, o que torna sua morte ainda mais noticiada.

Maior provedor de petróleo dos EUA, ao mesmo tempo em que seu principal (e mais radical) antagonista nos últimos tempos, talvez as relações entre EUA e Venezuela constituam o centro de qualquer análise envolvendo o comandante. Tendo seu legado extremamente criticado pela imprensa estadunidense, parece existir a intenção por parte do governo de “normalizar” suas relações com Caracas após a morte de seu líder. Ruptura ou continuidade? No aguardo das eleições presidenciais, o seguimento dessas relações bilaterais é incerto, mas fato é que a ausência do polêmico Chávez por si só certamente representará uma grande mudança de posicionamento por parte dos Estados Unidos.

Incerto também parece ser o futuro do Mercosul (ao qual a Venezuela apenas recentemente se integrou) e da Alba, a Aliança Bolivariana das Américas (criada 2004 e bastante enfraquecida com a morte de seu idealizador). Os efeitos da futura eleição de um novo líder venezuelano na região ainda deverão ser sentidos e resta-nos apenas aguardar para avaliar como uma Venezuela sem Chávez buscará (re)afirmar-se no cenário internacional atual… 


Categorias: Américas, Política e Política Externa


1 comments
Pri Rosso
Pri Rosso

Difícil dizer quais os rumos que a política venezuelana tomará agora... Mas é certo dizer que os impactos na política latino-americana devem ser imediatos.