Nuvens sombrias em Gaza

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Não teria como ser outro assunto – a sombra da guerra se espalha no Oriente Médio, com a Síria em convulsões e Israel atirando para todos os lados, literalmente. A nova onda de ataques com foguetes a território israelense valeu uma resposta absolutamente desproporcional que assombra o mundo desde a última semana. Em última instância, Israel não estaria “errado” ao retaliar ataques contra seu território e tentar desarmar os arsenais do Hamas. Mas quando se compara o grau de destruição causado por cada ataque, é cada vez mais difícil justificar qualquer tipo de apoio. 

Por hoje, vamos focar nas relações regionais – mesmo por que poderíamos ficar o dia todo aqui discutindo sobre a viabilidade do Estado palestino (a solução que acabaria com esse rebu) e como os radicalismos de ambos os lados jogam terra sobre isso. A diferença dessa nova onda de violência com relação à ultima, de 2008, é o fato de que Israel está cada vez mais isolado. 

Culpa da Primavera Árabe, em partes. O Egito, antiga liderança (e que ajudava Israel) agora está muito mais para o lado dos palestinos e do Hamas (primo distante da Irmandade Muçulmana que agora manda por lá). Temos o Qatar e a Arábia Saudita tentando aumentar sua influência mas sob suspeita aos olhos dos árabes (que temem qualquer elite que venha do Golfo). E por último, e mais importante, temos a Turquia. O país azedou as relações com Israel desde o ataque à flotilha de ajuda humanitária e cada vez mais tenta se consolidar como a potência regional em uma parte do mundo que carece de liderança nesse momento. O potencial econômico e militar para isso a Turquia tem, mas faltam elementos culturais, e mesmo os atritos como a fronteira com a Síria. Aliás, esse é um dos principais fatores que pesam na possibilidade de um conflito regional… 

Mais do que as discussões sobre guerras assimétricas ou a natureza de um Estado contra entes não-estatais, fica a perplexidade por conta do excesso de força. Isso por que não faz sentido que Israel comece um conflito desse tipo agora – e parece ainda mais despropositado clamar que reduzirão a outra parte “à idade média”. Se um conflito no Irã parece pouco vantajoso por causa das dificuldades logísticas, quanto mais contra todo mundo ao redor e com a opinião pública mundial ficando contrária a essa violência. Ascensão de ultra-conservadores ao poder? Saber que terão apoio dos EUA e fazer o que der na telha? Conspirações? O mundo fica de olho no que vai resultar das possíveis negociações no Egito, e na possibilidade de um cessar-fogo que evite um massacre ainda maior – e tomara que deem certo, já que a chance de invasão caso as negociações fracassem é iminente.


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