Nova ordem, velhos amigos

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A guerra ainda não acabou, mas todos já querem saber o que será da Líbia após a fim do regime Kadafi. O reconhecimento do Conselho Nacional de Transição (CNT) cresce na medida em que as atrocidades do ditador líbio são reveladas. Aparentemente ser amigo do Kadafi não é mais aceitável, muito pelo contrário. Os Estados Unidos e o Reino Unido, para exemplificar, foram países que no passado aceitaram cooperar com o regime semideposto.

Aqueles que consideravam rotineiro enviar suspeitos de terrorismo para a Líbia ou prover informações ao governo Kadafi sobre seus opositores, agora reconhecem o CNT como representante legítimo do povo líbio. Além disso, organizam reuniões com o intuito de ajudar a Líbia na transição. Com base no histórico recente, cabe a refletir sobre as reais intenções dos “velhos amigos” do povo líbio. Até que ponto há solidariedade e defesa dos Direitos Humanos?

Mais que um gesto de amizade, as discussões sobre o pós-Kadafi – antes mesmo dos rebeldes encontrarem seu refúgio – lembram um balcão de negócios. Afinal, qual a legitimidade desses mesmos países que viraram as costas para um aliado de outros tempos? Longe de defender um ditador sanguinário, trata-se de entender o que motiva as recentes boas ações. Uma delegação brasileira na Líbia, responsável por elaborar um relatório para as Nações Unidas, denunciou excessos e relatou o apoio à Kadafi por parte da população líbia.

Resta torcer para que as atrocidades cometidas no Iraque e Afeganistão em nome da democracia e liberdade não sejam esquecidas. Por enquanto, não faltarão países dispostos a desbloquear os bens líbios ou “ajudar” nos esforços para o restabelecimento de serviços básicos e a reconstrução da economia do país. Para aqueles ainda ditadores, bons ou maus, significa que a era da impunidade pode acabar à medida que seus países-amigos percebam que não é mais aceitável cooperar com governantes opressores ou que um governo mais popular poderá oferecer cooperações tão ou mais convenientes para seus negócios.


Categorias: Política e Política Externa


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