Nous sommes Charlie

Por

Je suis Charlie

[Charge do artista gráfico francês Jean Julien]

Se o lema do dia de hoje foi (ou está sendo) “Je suis Charlie” (“Eu sou Charlie”), não poderíamos deixar de afirmar: nós somos Charlie. Nous sommes Charlie.

Somos Charlie porque acreditamos na liberdade de imprensa e de expressão como um princípio e nos meios de comunicação como um espaço aberto à reflexão – não imune a críticas, mas nunca sujeito a atos de barbárie. Somos Charlie porque defendemos o diálogo como o único meio para se alcançar a paz e o respeito mútuo como única arma legítima.

Somos Charlie porque repudiamos toda forma de violência em qualquer circunstância. Somos Charlie porque o trágico episódio ocorrido hoje em Paris não foi um ataque apenas à revista Charlie Hebdo e a seus colaboradores, mas a todos que acreditam que um mundo melhor se constrói apenas com base na tolerância e no diálogo.

Em luto pelas vítimas e em apoio aos familiares e feridos, a Página Internacional é Charlie.


Categorias: Europa, Paz, Post Especial


2 comments
MatheusPulicci
MatheusPulicci

Este é o comentário de Rafael Saldanha publicado sobre o artigo 

"A diferença entre o politicamente incorreto do Charlie Hebdo e o politicamente incorreto de Gentili e derivados"

do Diário do Centro do Mundo (http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-diferenca-entre-o-politicamente-incorreto-do-charlie-hebdo-e-o-politicamente-incorreto-de-gentili-e-derivados/). Não apenas concordei com ele, como acho que ele explorou com mais embasamento outros temas que envolvem a tragédia em si.


Discordo muito. "Existem dois tipos de humor politicamente incorreto. Um é destemido, porque enfrenta perigos reais. O outro é covarde, porque pisa nos fracos." Na França, os imigrantes islâmicos são os fracos. Nas periferias de Paris, jovens com sobrenome árabe têm muito mais dificuldade em conseguir empregos do q jovens com sobrenome francês, mesmo tendo direito à cidadania por conta dos séculos de colonialismo.

"Os caricaturistas mortos não espezinharam minorias impotentes. O problema deles era com algo – o fundamentalismo islâmico – que os impedia de se expressar no mesmo tom que usaram tantas vezes para debochar de outras religiões."

Ao atacar um símbolo sagrado da religião islâmica (pela fé muçulmana, a figura do Profeta não pode ser retrata de maneira nenhuma, muito menos satírica), eles não estavam atacando só os fundamentalistas. Estavam ofendendo todos aqueles que professam essa fé.

"Ele provoca e estimula o que existe de pior no seu público, e não surpreende que seja seguido por pessoas como ele – preconceituosas, analfabetas políticas, estúpidas."

Será que ao retratar sempre os árabes com bombas e espadas (ou fazendo trocadilhos que sempre envolviam "Morrer" ou "explodir") a revista não estava também estimulando o que existe de pior em seu público? Ou será que reforçar esse estereótipo ajudava as dezenas de milhares de jovens muçulmanos que são discriminados pela sociedade xenófoba da França?

"Um juiz conseguiu não ver racismo, numa sentença que entrará para a história da infâmia jurídica nacional, quando Gentili ofereceu bananas a um negro."

Assim como os juízes franceses não enxergaram a islamofobia das charges da Charlie Hebdo.

O atentado é uma tragédia. Nada justifica a morte de seres humanos. Espero que esses terroristas sejam presos e punidos como manda a lei.
Mas elevar esse pasquim francês à "Gigantes do Humor" não dá.

MatheusPulicci
MatheusPulicci

Discordo quase que integralmente do post.


Precisamos rever o significado de "liberdade de imprensa". Lembremos que isso não significa publicar o que se quer, há limites para tal. As charges voltadas tanto ao profeta quanto à religião ofendiam seus seguidores, não há como justificar uma liberdade de expressão nisto. Estamos falando também das comunidades muçulmanas no país que sofrem xenofobia e cujos integrantes sofrem discriminação para conseguir um emprego ou um "cotidiano comum". Por um assunto que envolve tamanha paixão fica difícil medir se a insatisfação islâmica é fruto de enorme intolerância quando o objetivo é a ofensa (travestida de humor). E não, não era uma tentativa de diálogo, longe disso. Aquele que ofende já se mostra indisposto a um diálogo.


Em tempo, o ato bárbaro e cruel é um absurdo e obviamente injustificável. Este ato sim foi o símbolo da intolerância. E a Liga Árabe só repudiar e declarar que tanto a Liga quanto a religião não são compatíveis com este tipo de ação é apenas um mínimo. Deveriam oferecer auxílio em suas investigações. Deveriam estimular os países-membros a fazerem uma propaganda anti-extremista. Moralmente isso não seria uma "derrota do Islã para os ocidentais", a derrota já vem acontecendo pela conivência com o extremismo. E assim, a comunidade islâmica em terras ocidentais e o estereótipo que se cria sobre o islã nestas terras só têm a perder.