Nós podemos?

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[Pessoal, este post é de autoria do Giovanni Okado, nosso colaborador, que, por problemas técnicos, pediu pra eu publicar seu post.]

Alguém já ouviu falar sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM)? Eles incorporam muitas premissas liberais e, supostamente, deveriam ser a referência central para a atuação de todos os Estados-membros das Nações Unidas no decorrer do novo milênio. Sim, supostamente…

Entre os dias 6 e 8 de setembro do ano de 2000, os líderes mundiais reuniram-se na Cúpula do Milênio da ONU para comprometerem suas nações tanto com esforços globais mais fortes a favor da paz, direitos humanos, democracia, boa governança, sustentabilidade ambiental e erradicação da pobreza, como para apoiarem os princípios da dignidade humana, igualdade e eqüidade. O resultado dessa reunião foi a elaboração de um documento histórico à humanidade: a Declaração do Milênio.

Assim sendo, o novo século começou com uma declaração de solidariedade e uma determinação sem precedentes de livrar o mundo dos velhos males que afligiam toda a humanidade (guerras, doenças, pobreza, etc.), já que as medidas anteriores se mostraram falhas.

Ao todo, foram definidos oito objetivos para serem alcançados até 2015, que vão desde a erradicação da extrema pobreza e da fome até ao estabelecimento de uma parceria mundial para o desenvolvimento. Para além desses objetivos, foram estabelecidas 18 metas e mais de 40 indicadores para mensurar o progresso dos ODM pelo mundo. O comprometimento para a realização desses fins foi universal, mas as iniciativas deveriam envolver um amplo conjunto de esforços coordenados nos níveis internacional, regional, nacional, municipal, comunitário e, ainda, familiar e individual. Dessa forma, deu-se início a campanha “Sim, Nós podemos”.

Apesar de todos os avanços e esforços da comunidade internacional, os ODM dificilmente serão cumpridos até 2015 – sobretudo no continente africano –, como demonstram os relatórios anuais do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Resta saber qual a resposta para a questão proposta por Kofi Annan, ex-Secretário Geral da ONU: “A aqueles e àqueles que os elegeram, os povos do mundo, digo: só vós podeis decidir se a ONU estará à altura do desafio.”
Mesmo que os ODM rondem as mentes das pessoas e estejam em constante discussão por todos os países do globo, numa era de inimigos imaginários e de especulações financeiras, fazer guerras e inventar crises é a realidade. Aos ODM, deixemos a alegoria de um mundo melhor. Que eles sejam o mito da sociedade contemporânea! Querer nem sempre é poder e poder nem sempre é fazer, as condições para a implementação dos ODM estão à vista, mas o slogan da campanha deveria ser alterado para “Sim, Nós Fazemos”. Este talvez seja o caminho…


Categorias: Organizações Internacionais


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