No reino dos relatórios…

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Saakashvili, presidente da Geórgia

Lembram da Ossétia do Sul? Aquele pedaçinho de terra de 3.900 km2 e cerca de 70.000 habitantes que fica entre a Rússia e a Georgia? Pois é, ano passado, depois de toda a polêmica de soberania, legitimidade, independência, inspiração de Kosovo, iminência de conflito entre Rússia e EUA e conflito de fato entre Rússia e Georgia, a Rússia saiu como bandida imperialista da história e as relações da mesma com o restante do mundo ficaram em suspenso por um tempo. Somente agora o Kremlin e a OTAN retomam contato.

Ocorre que um relatório de uma missão da União Européia na Georgia (EU Monitoring Mission in Georgia) revela que na verdade, quem começou a atacar foi a Geórgia, não a Rússia. “A alegação da Geórgia sobre a presença de forças armadas russas em larga escala na Ossétia do Sul antes da ofensiva georgiana em 7 e 8 de agosto não foi confirmada pela missão”. O relatório tem mais de mil páginas e demonstra que as informações do presidente georgiano Mikhail Saakashvili são fabricadas, apesar de evitar a palavra ‘mentira’ no relatório.

Pronto! A Rússia já tratou de tomar para si a posição de vítima injustiçada. Reclamou que o relatório não menciona o peso decisivo dos EUA no conflito. De fato, quando Bush assumiu a presidência, continou a política de Clinton aceitando a vocação ‘ocidental’ da Geórgia e apoiando a sua candidatura a OTAN. Após os atentados de 11 de setembro, promoveu a Geórgia a um ‘parceiro estratégico’ de seu país, tanto na luta contra o terrorismo como na promoção da democracia. Viu-se tão preso a essa exaltação da importância de Tbilisi a Washington que, mesmo sabendo que a Rússia é peça chave para a resolução da questão nuclear no Irã, manteve-se ao lado da Geórgia.

O fato é que a Geórgia está em maus lençóis agora. Outrora contava com o apoio determinante do Ocidente. Era considerado o país do Caucaso com maior probabilidade de entrar na União Européia. O país também era cotado para a OTAN, mas não teve acesso na Cúpula de Bucareste em 2008 (ainda bem, ou o conflito de agosto com a Rússia poderia tornar-se global).

E agora, Saakashvili? E agora, Obama? Qual vai ser a política adotada com relação a Geórgia?


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