No olho do furacão

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[Post rápido e polêmico – viu, Adriana?]

É impressionante como nesse governo ninguém nunca sabe de nada…

Num belo dia de sol em Tegucigalpa o Zelaya se materializa em frente à embaixada brasileira. Isso mesmo. Ele aparece lá do nada.

E no Brasil? Ninguém sabe de nada…

O mais engraçado, no entanto, é a postura do Brasil. Quando o senhor Omar Hassan-Bashir, presidente do Sudão, é condenado pelo Tribunal Penal Internacional, o Brasil não se manifesta. É o princípio da não interferência.

Quando o Chávez deita e rola na Venezuela, de novo, princípio da não interferência.

E quando nosso presidente resolve se manifestar, normalmente não sai nada além de algo que algum outro Chefe de Estado pensaria duas vezes antes de falar.

E quando Honduras está numa crise interna gigantesca? O Brasil não só se manifesta como consegue sair da posição de expectador para a de ator principal e entra no olho do furacão.

Aí, claro, é acusado de ingerência. E onde fica a retórica da não interferência agora?

Nada contra o governo se manifestar e agir de vez em quando. Aliás, já postamos sobre isso aqui muitas vezes. Um país que almeja a posição que o Brasil quer não só pode como deve se manifestar. Veja dois dos posts sobre o assunto aqui e aqui.

O problema é a falta de coerência do Brasil. Diz que adota a não interferência, mas quando é um governo de esquerda (como o de Zelaya, que foi retirado do poder pela Suprema Corte do país por tentar modificar a constituição indevidamente – um novo tipo de golpe na América Latina, mas que não isenta o Zelaya de culpas), ou algum aliado qualquer, por mais atolado que esteja, como o presidente do Sudão ou o Egito no caso da Unesco, o governo não só se manifesta como dá todo tipo de apoio.

Se o nosso governo quer adotar alguma postura, que adote. Não há problema nisso. Mas que pare com esse discurso de não interferência quando há um assunto internacional urgente – como casos de desrespeito aos Direitos Humanos ou questões ambientais – e saia de cima do muro.


Categorias: Américas, Brasil, Política e Política Externa


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