No mundo da Lua

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Vejamos um esboço da dimensão do tempo. Há quarenta anos, completados nesta última madrugada, o homem pisou pela primeira vez na Lua, sem concretizar, no entanto, o “gigantesco salto para a humanidade”. Por outro lado, seis meses foi o tempo necessário para a esperança se igualar à inépcia. De acordo com uma pesquisa realizada pelo jornal “USA Today”, popularidade de Obama se equipara a de Bush, considerando o mesmo período dos mandatos de cada um. (Confiram a notícia) Várias atitudes do atual presidente norte-americano podem sugerir a igualdade numérica de 55% – muitas já foram listadas no blog e até debatidas num podcast -, mas, sem dúvidas algumas ações recentes tem chamado muito à atenção.

Obama anda vagando pelo “mundo da Lua”, no estrito sentido dessa expressão popular, embora tenha reduzido pela metade o orçamento da NASA (de 3 bilhões de dólares para 1,5). Aliás, essa redução tem fomentado discussões.

Ontem, no encontro entre os bravos heróis norte-americanos, os primeiros desbravadores do solo lunar – Neil Armstrong, Edwin Buzz Aldrin e Michael Collins -, e o presidente dos EUA, muitas questões incidiram sobre a negligência do atual governo em relação a projetos espaciais mais audaciosos, como focar a exploração de Marte. Outros países estão procurando ocupar essa brecha; Rússia, China e Índia têm desenvolvido pesquisas nessa área e projetos de viagens tripuladas. Alguns especialistas chegam a sugerir que estamos diante de uma incipiente corrida espacial contemporânea.

Obama entrou para a história como o primeiro presidente negro dos Estados Unidos e, em tempos recentes, pouquíssimas vezes vi tanta repercussão em torno da questão racial durante e após uma eleição. A maneira como o atual presidente tem lidado com ela é bastante curiosa. Por exemplo, no dia 16 de julho, ele fez um discurso “ardente” aos negros do país, no qual conclamou que eles assumissem a responsabilidade por si próprios e, ao mesmo tempo, declarou que a discriminação ainda persiste em solo norte-americano. É impressionante, em seu país, Obama não sente orgulho de ser quem é, enquanto que em sua viagem ao continente africano, ele disse ter sangue da África dentro dele. (Vejam a matéria)

E as políticas econômicas norte-americanas, como andam? Não muito bem. Elas conferem descrédito à popularidade de Obama e são sistematicamente reprovadas como meios eficazes de combater à atual crise. Contudo, melhor do que enfrentar as críticas é promover mudanças. Neste sentido, o presidente tem uma proposta muito arrojada para o sistema de saúde e que é questionada pelos republicanos. Sem dúvidas, saúde é uma questão imprescindível. Mas as críticas dos opositores recaem na pressa com que o governo pretende implantar suas medidas e nos gastos exorbitantes – estima-se a elevação do déficit orçamentário nacional em 239 bilhões de dólares.

Além de todos esses atuais desafios, Guantánamo persiste como uma pedra no sapato de Obama. A comissão nomeada pelo governo dos EUA, responsável por elaborar as diretrizes para o fechamento desse centro de detenção, não cumprirá seus prazos. Não há como fechá-lo até janeiro do ano que vem.

É, Obama, seus pés não andam tocando a Terra. Em todo o mundo, ele é aclamado e é visto como um símbolo de esperança para um futuro melhor. Mas os desafios têm sido inúmeros e “palavras sem obra são tiros sem bala; atroam, mas não ferem.” Deixo a minha opinião pessoal: não sou pessimista, eu prefiro acreditar no lídere norte-americano, entretanto, todos sabemos que ele lidera uma sociedade altamente conservadora. É muita coincidência um negro assumir o poder pela primeira vez num dos piores momentos – senão o pior – da história dos EUA. A História ensina muitas lições e uma das principais é a aversão ao que não dá certo, ainda mais quando ela é escrita pelos vencidos. E, sendo já bastante audacioso nas minhas considerações, a história norte-americana foi escrita pela aristocracia.



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