Névoa cinzenta

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As palavras poluição e China – frequentemente vistas na mesma frase – têm ilustrado as manchetes internacionais nos últimos dias. Os níveis altíssimos de poluição em Pequim voltaram a assustar, obrigando empresas aéreas a cancelarem voos e moradores a ficarem em casa para se protegerem da impressionante névoa cinzenta…

Para se ter uma ideia, o tamanho das partículas do ar estava 20 vezes superior ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde para um período de 24 horas… com uma visibilidade de apenas 200 metros nas ruas, o pacote do governo com medidas para conter a poluição atmosférica (prometido há duas semanas) se faz mais do que urgente.

Com taxas de câncer de pulmão crescendo assustadoramente no decorrer da última década e os atuais níveis alarmantes de poluição, o governo tem até aconselhado a população a reduzir as atividades realizadas ao ar livre (!).

Acontece que a situação vivenciada atualmente pela China não é nova, e crises parecidas já ocorreram nos Estados Unidos (1948), na Bélgica (1930) e na cidade de Londres (1952). Daí foi criado o termo “smog das palavras inglesas para fumaça (smoke) e neblina (fog). Nestas oportunidades, as crises contribuíram para a criação de medidas contra a poluição, muitas vezes consequência direta do processo de industrialização acelerada.

Se quiser, a superpotência chinesa certamente tem condições de enfrentar o problema que pode mesmo representar um obstáculo ao crescimento econômico do país. Sendo o segundo maior emissor de gases de efeito-estufa no mundo, a redução das emissões de dióxido de carbono depende de muita vontade política para que compromissos ambientais sejam assumidos. Enquanto isso não acontece, tem até chinês vendendo ar puro em lata contra a poluição… qual sabor você preferiria: “Taiwan pós-industrial” ou “Tibete fresco”? […]


Categorias: Ásia e Oceania, Meio Ambiente


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