Nakba

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Nakba, termo pouco conhecido em nossa linguagem ocidental, significa, em contrapartida, muito para o povo palestino. Em uma possível tradução literal, esta palavra é entendida como “catástrofe” e representa, pois, a fundação do Estado de Israel no ano de 1948, quando milhares (hoje milhões) de palestinos foram forçados a deixarem suas terras e se tornarem refugiados após os conflitos pelo território.

Hoje, depois de 63 anos, a data é mais uma vez lembrada e, invariavelmente, a região vivenciou conflitos, sendo que mais sangue palestino foi derramado. Isto porque os manifestantes palestinos invadiram Israel a partir de três de suas fronteiras: Síria, Líbano e Faixa de Gaza. Os números ainda são incertos, mas falam-se em cerca de 15 mortos e centenas de feridos por conta da violência utilizada por Israel para reprimir a manifestação.

Sabe-se que, de fato, o histórico das últimas décadas de relações entre Israel e Palestina pode ser caracterizado por um triste adjetivo: conflituoso (leia mais sobre o assunto em posts antigos do blog aqui, aqui e aqui). A disputa de dois povos tão diferentes por um único território divide opiniões e faz com que as tentativas de diálogo no cenário internacional sejam intermitentes, sem que nenhuma decisão final consiga agradar a ambos. Afinal de contas, quem é que deve ceder?

Pedras contra tiros, palavras contra demonstrações de força militar, comoção popular contra alianças internacionais poderosas: estas são apenas algumas das dicotomias que envolvem Palestina contra Israel. As opiniões podem divergir, mas o fato é que o povo árabe reivindica há mais de 60 anos o direito às terras que lhes pertenciam há séculos, antes da mobilização dos judeus em busca de seu próprio território. A disputa pela “Terra Santa”, inspiração religiosa para diferentes crenças, revela, hoje, cada vez mais as dificuldades existentes no diálogo entre as sociedades humanas – diálogo este, na maior parte das vezes, pautado apenas por interesses estratégicos sem que a dignidade humana seja efetivamente levada em conta.


Categorias: Conflitos, Oriente Médio e Mundo Islâmico


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