Mulheres de Angola

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Na tradicional canção “Mulheres de Atenas”, Chico Buarque e Augusto Boal se utilizam de metáforas para demonstrar a importância da luta feminina contra a submissão a regras patriarcais, na época da ditadura militar brasileira. Em um contexto bem diferente, mas em meio ao qual por vezes os desafios das mulheres continuam ainda enormes na busca pela igualdade, hoje se comemora o Dia da Mulher Angolana.


Essas Mulheres de Angola – com seus gostos, vontades, sonhos e qualidades – desde o período colonial são protagonistas no ambiente familiar, já que os homens angolanos eram inevitavelmente separados de suas casas devido ao tráfico de escravos e, posteriormente, ao sistema de trabalho forçado nas plantações. [Veja aqui artigo detalhado em relação ao tema.]

Dadas tais influências históricas, o papel da mulher na sociedade angolana merece atenção destacada. A Organização da Mulher Angolana (OMA), por exemplo, foi oficialmente criada em 1962, vinculada ao partido do Movimento Popular para Libertação de Angola (MPLA). Com o objetivo de lutar contra a discriminação e a violência de gênero por meio do fortalecimento da voz das mulheres, a OMA constitui hoje uma das organizações feministas conhecidas no país e comemora seu 50º aniversário esse ano.

Dez anos após o fim da longa guerra civil angolana, as mulheres – e todos os cidadãos, aliás – se esforçam na (re)construção diária da democracia e do desenvolvimento deste país africano, demonstrando que o processo de pacificação está avançando a passos largos. Em sua primeira visita oficial a Angola nos últimos dias, Ban Ki-moon reforçou ainda a importância do país para as Nações Unidas. [Para curto e interessante vídeo a respeito dos “10 anos de paz” em Angola, clique aqui.]

Reconstruir o país é tarefa árdua e longa, mas possível, sendo que o amplo envolvimento das comunidades locais é essencial. E, em meio a esse processo, as Mulheres de Angola devem ser, literalmente, exemplos a serem mirados…


Categorias: África, Conflitos


2 comments
Bianca Fadel
Bianca Fadel

Obrigada pela crítica construtiva! De fato, estando vinculada ao partido MPLA, a OMA pode ser considerada representativa apenas de uma fração - ainda que expressiva - das mulheres de Angola.Aguardamos comentários seus sempre que possível no blog!Abraços!

Visões do Globo
Visões do Globo

Desculpem-nos, mas achamos que o título seja algo enganador. A OMA é uma organização feminina pertencente a um partido político o MPLA... Por essa razão, não é representativo das mulheres de Angola, mas sim as do referido partido... Convém pesquisarem um bocado mais... Mas concordo que as mulheres de todos os países jogam um papel fundamental na consolidação da democracia dos seus respectivas terras ... Um abraço