Mulheres ao volante!

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Você sabia que na Arábia Saudita as mulheres são impedidas de dirigir? Sim, apesar de parecer incabível para a realidade do século XXI (dito globalizado e igualitário), as cidadãs deste país árabe sofrem ainda hoje com uma proibição derivada da interpretação estrita do Islã – a qual determina a segregação de sexos em espaços públicos de diversas formas.


Women2drive é o nome do movimento iniciado há dois meses pela internet (veja os perfis do Twitter e do Facebook) com o intuito principal de organizar um protesto neste dia 17 de junho. A forma do protesto? Simples: mobilizar mulheres ao volante pela Arábia Saudita em geral. No total, 42 mulheres aderiram individualmente ao protesto hoje e desafiaram o espírito conservador nacional ao se locomoverem na direção de automóveis pelas ruas do país.

Motivadas há anos pelo desejo de conquistarem um direito básico que lhes é negado não pela lei, mas pelo fundamentalismo religioso árabe, as mulheres árabes se mostram cada vez mais conectadas virtualmente para a articulação de movimentos neste sentido. Após a prisão da jovem Manal al Sharif (foto) – detida por duas semanas após publicar um vídeo no YouTube em que se encontrava ao volante -, o movimento parece ter se fortalecido ainda mais e, segundo sua descrição no Facebook, continuará até que as mulheres possam dirigir pelas ruas do país sem questionamentos.

Efetivamente, discutir questões relativas à igualdade de gênero não é algo novo. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) criou recentemente uma entidade voltada especificamente para este fim, a ONU Mulheres, por meio da qual se busca proporcionar uma “voz poderosa a nível global, regional e local” às mulheres e meninas de todo o mundo que ainda são vítimas dos mais diversos tipos de preconceitos e desigualdades. Não tão recentes assim são os diversos tratados existentes que proclamam os Direitos Humanos das mulheres e que reafirmam a necessidade de promoção da dignidade humana independentemente do gênero.

Se, para Bobbio, conhecido filósofo político, “os direitos nascem quando devem ou podem nascer”, espera-se que o reconhecimento do direito de dirigir das mulheres na Arábia Saudita seja a primeira de muitas conquistas que ainda podem e devem nascer para as mulheres do mundo inteiro neste século. Apenas dessa forma a “igualdade de gênero” – tão comumente apregoada, apesar de constantemente desrespeitada – poderá, de fato, se consolidar.


Categorias: Mídia, Oriente Médio e Mundo Islâmico, Polêmica


2 comments
Anonymous
Anonymous

Bianca FadelSempre interessante sua analise.Sempre buscando os valores em seus objetivos.Parabens.Harley