Mudanças e continuidades

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Na mesma semana, as duas maiores economias do mundo estão politicamente agitadas com eleições presidenciais. Cada qual a seu modo, ambas determinam o curso político dos próximos anos e exercem influência sobre as relações internacionais em geral.

De um lado, vemos abertamente que o fenômeno Obama (o qual enfrentou mais dificuldades do que esperava) conseguiu se reeleger sob o logo “Forward” (algo como “Seguindo em frente”). O apelo aos cidadãos para irem às urnas, já que o voto é facultativo por lá, foi enorme e o resultado acirrado mostra que cada voto conta, especialmente em um sistema eleitoral tão complexo como o estadunidense (entenda melhor aqui).

Por outro lado, vemos (ou melhor, não vemos) o processo eleitoral chinês começando. A cada 10 anos (e não 4, como nos EUA), e sob sigilo total, o poder político é transferido na China durante um congresso fechado do Partido Comunista. Xi Jinping é o nome que deverá assumir o poder. Em um processo eleitoral sobre o qual pouco se sabe, Jinping (sobre o qual tampouco se sabe muito em termos de posicionamento político) parece ser o nome com mais provável aceitação.

Obama reassume o poder com a promessa de continuidade, mas também de renovação. Em meio a uma crise econômica da qual aos poucos a superpotência norte-americana está se recuperando, é latente a busca pela unidade política em um país com profundas diferenças ideológicas (vide toda a luta política entre republicanos e democratas durante as campanhas presidenciais) para a aprovação de futuras medidas de âmbito nacional.

Enquanto isso, em uma China que cresce economicamente a uma taxa de impressionantes 10% ao ano, o desafio maior é o combate às desigualdades sociais (150 milhões de chineses ainda vivem com menos de 1 dólar por dia). A situação de marginalização dos mais de 200 milhões de migrantes que saíram nos últimos anos do campo para trabalhar nas cidades também é clara, além das sempre mencionadas deficiências em termos de direitos humanos no país.

Acompanhar o processo eleitoral da China e dos Estados Unidos significa também acompanhar o impacto que a eleições de seus candidatos exerce sobre as relações internacionais. Em um mundo cada vez mais interligado, é maior do que nunca a responsabilidade dos líderes que assumem os desafios nacionais e internacionais dessas duas superpotências, tão diversos e ao mesmo tempo tão similares entre si. 


Categorias: Ásia e Oceania, Estados Unidos, Política e Política Externa


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