México: entre o novo antigo e a diferente

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Felipe Calderón, atual presidente do México, pouco tem a oferecer de positivo para a candidata de seu partido a sua sucessão. Não surpreende, uma vez que o país teve a economia fortemente atingida pela crise de 2008, chegando inclusive a uma retração de 6,1% no ano seguinte. Antes fosse só isso, mas não é. Além disso, as tentativas de reinstalar o poder estatal frente os cartéis de droga culminaram no aumento da taxa de homicídios. Até o início de 2012, chegou-se a quase 50.000 mortes relacionadas ao crime organizado durante o governo de Calderón. Neste contexto, justifica-se a sua baixa popularidade.

A partir dos eventos recentes, passou-se a discutir não só a guerra contra o narcotráfico, apoiada em grande medida pela ONU e no caso mexicano pelos Estados Unidos; mas também a continuidade política no país, lembrando a aproximação das eleiçõespresidenciais. Quando a candidata do partido do atual presidente, Josefina Vázquez Mota, cria um slogan de campanha na qual se denomina “diferente”, já é possível imaginar que distanciar-se de Calderón lhe renderá melhores frutos que aproximar-se. O principal concorrente e líder das intenções de voto, Enrique Peña Nieto, terminou recentemente seu mandato com governador do maior estado do país e representaria a volta de seu partido (PRI) ao poder depois de 12 anos.

Peña tem seus próprios fantasmas para se preocupar. O PRI, que governou o México por mais de 70 anos, atravessou seus últimos anos no poder com a reputação de corrupção contrastando com seus primórdios vinculados as causas nacionalistas. Assim, a volta deste partido ao poder traria consigo figuras controversas. As fragilidades dos principais candidatos, tanto Peña como Vázquez, tampouco serviu para fomentar um caminho alternativo. Andrés Obrador, segundo colocado na eleição de 2006, viu sua rejeição crescer de forma significativa após as alegações de fraude e protestos em relação à vitória de Calderón. Mesmo assim, Obrador segue próximo de Vázquez nas pesquisas. Peña ainda possui uma confortável vantagem de quase 15 pontos percentuais sobre a candidata governista.

Apesar de tudo, o presidente Calderón ainda poderá ajudar a candidata de seu partido. Primeiro, trazendo seu exemplo: uma vitória nas últimas semanas em 2006, embora tenha iniciado a corrida eleitoral atrás. Segundo, dividindo a atenção da mídia nos momentos mais marcantes da campanha de Peña. Entre as recentes cartadas lançadas estavam: a visita do Papa, uma reunião do G-20 e a quase captura do traficante mais procurado do país. Vázquez não reclamará destas intervenções. Afinal, talvez esta seja uma das únicas vantagens de ter seu nome vinculado de alguma forma ao atual mandatário. De resto, melhor ser “diferente” mesmo. Uma possível vitória dela significaria uma vitória também para as disputas entre gêneros, na medida em que este é ainda um tema carente de maiores discussões no país.

As frases dos principais candidatos ajudam a terminar de montar o cenário eleitoral. Para Vázquez: “Yo voy a ser una presidenta con falda, pero eso sí, con muchos pantalones” (Eu serei uma presidenta de saia, mas isso sim, com muita atitude). Já Peña: “Me conoces, lo voy a cumplir”(Você me conhece, vou cumprir meu compromisso). Entre os temas por entrar na agenda, muito possivelmente estarão a guerra contra o narcotráfico (mais o seu financiamento externo) e as tão faladas legalização de algumas drogas e a descriminalização do tráfico. Por mais atitude o compromisso que tenha o eleito, o desafio não será nada fácil. Cabe agora ao povo mexicano escolher entre o novo antigo, Peña, e a diferente, Vázquez.  


Categorias: Américas, Política e Política Externa


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