Merkel outra vez

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Nesse final de semana ocorreram as eleições legislativas da Alemanha. Evento obviamente mais do que importante para a Europa, tendo em vista a dimensão econômica do país e a sua estabilidade ímpar diante das incertezas da crise europeia.

Os resultados mostraram uma grande estabilidade também quanto ao quadro político nacional.  Angela Merkel não esteve nem por um instante ameaçada de perder as eleições. A vitória dela e de seu partido, a terceira seguida, é o simbolo máximo da continuidade que desejou o povo alemão. Para levarmos em conta mais do que analisar quem venceu, todo o restante do cenário também faz jus a essa conclusão.

O partido social-democrata, a oposição direta ao seu governo, ficou em segundo lugar novamente. A única vitória da oposição foi de não dar ao partido de Merkel a maioria das cadeiras do Parlamento. De qualquer modo, mais uma derrota deverá ligar o sinal vermelho para a social democracia europeia. Suas ideias, a muito tempo dadas como superadas por muitos economistas e cientistas políticos, agora parecem não ter forças também nas urnas. A Noruega, que passou os últimos outo anos sob um governo social democrata, nesse ano também derrotado nas urnas, é a prova máxima da diminuição de influência que vivem esses partidos.

Mas não só a social democracia parece ser menos empolgante. No caso alemão, o partido liberal, apoiador de Merkel, não alcançou ao menos 5% dos votos, o que o tirou pela primeira vez desde 1990 de qualquer representação. Mais ideológico do que o partido de Merkel, e mesmo assim defensor das mesmas ideias, mostra à primeira ministra e ao seu partido que o sucesso nas urnas em próximos pleitos dependerá mais da saúde econômica do país do que da politica em si. É a vitória do resultado econômico sobre o debate ideológico, fenômeno muito visto no mundo, inclusive no Brasil.

Outro resultado importante é do Partido Verde Alemão, talvez o mais organizado e forte do mundo, que amargou mais uma diminuição de eleitores. Parece queimar a língua de especialistas que diziam que haveria cada vez uma maior preocupação de jovens com a ecologia e a sustentabilidade. Agora, esse assunto parece perder espaço para as preocupações com a economia, o emprego, a saúde e educação.

Finalmente, a Alemanha parece blindada a ascensão de partidos radicais, os ditos cantões da politica europeia. Se em muitos outros países eles prosperam, na Alemanha não conseguem nem o mínimo para terem representantes no parlamento, como é o caso do partido de esquerda Die Linke e do anti-euro AFD. Isso é mais uma pista que o crescimento de tais partidos exigem uma certa crise econômica e instabilidade politica, das quais a Alemanha parece mais distante.

Diante do cenário de estabilidade alemã, ainda não faltaram casos curiosos. Houveram muitos momentos bizarros durante a disputa, como o casos de racismo. Felizmente, a boa notícia é a eleição de dois representantes negros, pela primeira vez na história. Vale lembrar que durante as eleições, houveram algumas manifestações racistas, como o caso da empresa Ferrero, que usava em seus comerciais o slogan infame “a Alemanha vota branco”.

E assim, aparentemente sem grandes mudanças, segue a maior economia da Europa. Merkel igualará ao fim do mandato a mesma quantidade de tempo no poder de Margareth Tchatcher, talvez a líder mais próxima para se ter alguma comparação. Resta saber, ao fim de mandato tão longo, os benefícios e prejuízos trazidos ao povo alemão por essa continuidade por tão duradoura de um cenário, um partido e uma pessoa no poder.


Categorias: Europa, Política e Política Externa


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