Mensalão nacional e global?

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Quem não se lembra daquela famosa cena do filme Tropa de Elite em que o soldado pede férias para seu sargento (o Rocha) e este diz de forma resumida: “É o seguinte soldado, colocar suas férias no boletim vai ser difícil. De repente posso dar uma ideia no major e ver o que vai acontecer…”. Enquanto fala, abre uma gaveta com vários mil reais em notas de dez, vinte e cinquenta. Depois, o sargento completa: “Eu vou te ajudar, agora você tem que me ajudar a te ajudar. Quem quer rir, tem que fazer rir, pô”. Assim, o soldado sai da sala com a permissão concedida por seu superior. 

Nas palavras do Capitão Nascimento, o sistema é f*da, parceiro. É aquela velha história de ser fácil entrar e difícil sair. Mais complicado ainda é mudá-lo e, claro, torná-lo menos corrupto. Tá aí a chave da questão: corrupção. Nesta semana, dois casos trouxeram à tona novamente este tema para a mídia: primeiro, o episódio “Libor”, sigla dada à Taxa Interbancária praticada em Londres (London Interbank Offered Rate, em inglês). Segundo, o tão comentado julgamento do Mensalão no Brasil. 

A Libor é uma taxa preferencial de juros que é oferecida a grandes empréstimos para bancos internacionais que trabalham com eurodólares. Até aqui nenhuma novidade, mas no final do último mês de Junho, um banco britânico disse que pagaria cerca de 360 milhões de dólares para por fim a uma grande conhecida deste mercado, ou seja, a especulação financeira. Em resumo, o “caso Libor” seria um esquema envolvendo alguns funcionários de vários bancos europeus, dentre eles o britânico HSBC, o alemão Deutsch Bank e o francês Société Générale, que manipulavam tal taxa. Parece que ainda é cedo para ver se isso é verdade, ainda mais porque alguns poucos especialistas dizem que isso faz parte da economia global. James Carville, estrategista da campanha de Bill Clinton, afirmou que “é a economia, estúpido!”, é algo normal.

Mudando de foco, mas não muito de tema, o caso do Mensalão finalmente será julgado no Superior Tribunal Federal (STF), órgão máximo do poder judiciário no Brasil. Todo mundo já conhece a história desta passagem, então não precisamos nos alongar no debate. Entretanto, o destaque vai para José Dias Toffoli, um dos ministros do STF que participará do julgamento. E daí? E daí que Toffoli foi advogado do Partido dos Trabalhadores (PT) e trabalhou na Casa Civil com José Dirceu, réu neste processo. Colocará no limo aqueles que foram amigos de outrora e envolvidos com corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro? Cenas para os próximos capítulos que devemos acompanhar. 

São acontecimentos distintos e devem ser tomados em devidas proporções. O “Libor” está sendo investigado e, por enquanto, ainda não foi confirmado. Já o Mensalão, é conhecido de carteirinha. Não vem ao caso se é tal banco ou tal partido político, mas o sistema continua sem mudanças. É esta a principal preocupação, o sistema continua, parceiro. Tomara que haja mais uma centena de “capitães” Nascimento no futuro. Não para aplicar a coerção, mas sim para ter mais ética e moral em seus trabalhos. Não temos noção do quão prejudicial são, para nós mesmos, estes e outros casos citados acima.


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