Medo: a arma de destruição em massa

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Uma ameaça terrorista real, assim descreveu o presidente Obama os dois pacotes vindos desde o Iêmen e que haviam sido interceptados no Reino Unido. Por este motivo, todos os vôos com carga de mesma origem foram alvo de grande precaução, sendo escoltados por jatos militares e meticulosamente vasculhados.  

O rabino Harold Kusher defende que o medo está ligado ao recente aumento dos fundamentalismos e ações violentas que presenciamos no nosso dia-dia. A tradução para o medo, nesse sentido, seria a raiva. Em direção similar a preconizada por Bauman (renomado cientista social polonês), Kusher vincula o medo que sentimos a elementos fora de nosso controle. Quantas vezes não estamos apreensivos, não conseguimos dormir, sofremos de ansiedade ou queremos enfrentar o que nos espera de uma vez por todas? 

Essa é justamente a premissa que segue historicamente o desenvolvimento de movimentos terroristas por todo o mundo. O instrumento utilizado é a ameaça à vida de pessoas de maneira aleatória. O objetivo, no entanto, não é o de matar por uma causa. Por trás de tudo, pode-se identificar a intimidação como fim. Os atentados de 11 de setembro são exemplo disso, a morte de centenas de inocentes no evento gerou um sentimento de insegurança em todo os Estados Unidos, tendo ainda implicações no mundo todo. Imaginem só, se o centro econômico do país mais poderoso do mundo colapsou frente aos terroristas, o que pode esperar o mero cidadão?

Por outro lado, a destruição e o medo que o terrorismo promove são desproporcionais a sua real dimensão. As chances de uma pessoa ser alvo de uma ação terrorista ao andar por centro comercial ou em vôo é extremamente menor do que a possibilidade de ser sofrer um acidente automobilístico, para ficarmos em um exemplo somente. Não é lógico, portanto, viver sob uma constante ameaça e construir diversas concatenações psicológicas. De uma certa forma, há muitos perigos e ameaças ao nosso redor. O medo somente serve para redimensionar as ameaças para uma esfera muito além de sua real faceta.  

Assim como na vida pessoal, enfrentar o medo pode se converter no principal contra-ataque aos terroristas. O dia que as pessoas não deixem mais de fazer o que querem por temer ser alvo de uma ação imprevisível de um fundamentalismo qualquer, estará plantada a semente que pode libertar a humanidade do terror que emana do mesmo. Ao menos assim defende Kusher. Todos sabem o que gerou o 11 de setembro: uma odisséia contra um inimigo invisível por meio de uma guerra contra forças ocultas. Guerra essa que não teve e nunca terá fim.  

O que se pode fazer com tudo isso considerado? Primeiro, aceitar nossa condição de vulnerabilidade. Não há segurança absoluta. Os mecanismos estatais, através das atividades de inteligência e prevenção ao terrorismo, são nossa proteção disponível. Não há garantia, mas sucumbir ao medo somente gerará maiores conseqüências negativas. A face nefasta do terrorismo é justamente o fato de que as armas mais poderosas não são as bombas ou elementos químicos, e sim o sentimento que estas geram em cidadãos cada vez mais apavorados, paralisados e suscetíveis a irracionalismos.  


Categorias: Defesa, Paz, Segurança


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