Mas de novo??

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Como coincidência pouca é bobagem, pela segunda semana seguida vamos falar de um atirador maluco. Mas agora, em vez de um militar americano estressado fuzilando aldeões afegãos, temos um maluco francês matando quatro pessoas em uma escola judaica em Toulouse, e que pelo visto está envolvido em ataques similares na semana passada. Isso não é novidade aqui no blog, como mostra o caso daquele norueguês doido do ano passado. O problema é que dessa vez não se sabe nada sobre o atirador, que ainda está à solta, e sabe-se lá com qual alvo em mente agora. 

No caso da semana passada, tínhamos um militar sob stress, o que não justifica o que fez, mas serve de explicação (minimamente). Agora, um caso como o dessa manhã, em que não se sabe nada sobre o criminoso (e mesmo seus alvos foram bem variados, supondo que tenha sido o mesmo atirador, diga-se de passagem), o único fio condutor que podemos pensar pra chegar a alguma conclusão, fora a probabilidade lamentável de crimes de ódio, é a questão de porte de armas. Isso foi levantado no massacre da escola de Realengo, do atirador na Noruega, e em tantos outros casos assim nos EUA. Se um militar, alguém que tem porte de armas, faz algo assim, é uma fatalidade. Mas, um cidadão comum, que obtém essa arma legalmente ou não… poderia ter sido evitado? Um controle mais efetivo (ou proibição mesmo) poderiam ter salvado essas vidas? Fica a dúvida. 

Ironicamente, um relatório do SIPRI (Stockholm Inernational Peace Research Institute) lançado hoje também mostrou que aumentou o comércio de armas pelo mundo nos últimos cinco anos, puxado por países asiáticos e pela “Primavera Árabe”. Muito disso é inflacionado por compras de coisas mais caras como tanques e aviões, mas é claro que isso inclui armas leves. E são dessas armas adquiridas legalmente que vêm os desvios, o tráfico e a aquisição de armas ilegais, que muitas vezes são aproveitadas nesse tipo de crime. Repito, ainda é preciso investigar pra entender os motivos, saber quem fez e estabelecer qualquer tipo de relação do que aconteceu na França com essa questão de armas ilegais… mas dá o que pensar, e não deixa de ser um prognóstico muito ruim. Se não por conta de possíveis atiradores malucos, pelas quadrilhas, milícias e forças militares que venham a usar essas armas – e causar a morte de muito mais que 3 crianças e um professor. 

Enquanto isso, a França, assim como a Bélgica na semana passada, fica de luto pelas crianças inocentes.


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