Mancha negra

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Hoje o maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos completa três meses. E ainda são imensuráveis as consequências do vazamento de petróleo causado pelo incêndio da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México. Com o vazamento de 60 mil barris por dia, hoje aproximadamente 550 milhões de litros de petróleo já se espalharam pelo Golfo do México (acompanhe a evolução da mancha negra aqui), impactando de forma extremamente nociva ao meio ambiente.

Com relação a esse desastre, as perdas se encontram em vários âmbitos: em termos humanos, onze funcionários que trabalhavam na plataforma morreram e mais de cem foram resgatados; em termos de fauna, milhares de animais marinhos morreram ou estão sofrendo com a contaminação de seu hábitat natural (foto); em termos econômicos, as indústrias de frutos do mar e de turismo foram atingidas diretamente na região; e em termos ambientais, os estragos são tão grandes que se estendem até ecossistemas marinhos distantes da região. Para se ter noção, Obama chegou a comparar o impacto desse desastre aos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA…

A British Petroleoum, empresa responsável pela plataforma, já gastou bilhões de dólares para remediar as consequências do vazamento, tendo anunciado ontem a venda de ativos para arcar com esse custo. Contudo, as operações para conter os estragos tem se mostrado difíceis, além de custosas, devido a diversos fatores logísticos, dentre os quais até o mau tempo se enquadra.

Hoje foi anunciado um pacote de mil milhões de dólares por parte de quatro grandes petrolíferas (Exxon, Shell, Chevron e Conoco Philips) para a construção, nos próximos meses, de um novo sistema de contenção de vazamentos de petróleo – com capacidade para conter até 100 mil barris por dia. Medidas que visam evitar um novo desastre com impactos tão negativos como o atual está se mostrando ao mundo inteiro.

A tragédia suscita ainda a constante discussão acerca da substituição dos combustíveis fósseis na utilização cotidiana. A dependência que a sociedade contemporânea criou em relação ao petróleo (e seus derivados) um dia deverá ser suprida por combustíveis “verdes”, ecologicamente sustentáveis. Muitos ainda defendem a utilização do petróleo e sua importância certamente é inestimável para o desenvolvimento das bases modernas da sociedade em que vivemos, porém o fato é que a discussão sobre energias limpas adquire maior expressão a cada dia, demonstrando a urgência em se adaptar a estrutura da sociedade a novas condições.

Tal como apontam David G. Howell, Kenneth J. Bird e Donald L. Gautier (da Divisão de Geologia de Petróleo do U. S. Geological Survey, Califórnia), “precisamos aproveitar as reservas existentes para um prudente e meticuloso planejamento do futuro, um futuro sem petróleo”. E que não está tão distante assim de nossa realidade.


Categorias: Economia, Estados Unidos, Meio Ambiente


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