Malditos (i)migrantes

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A escolha que leva uma pessoa a deixar seu país, familiares, amigos e cultura para trás nunca é uma decisão simples, fruto do acaso ou de um mero desejo mesquinho. Buscando raízes históricas, tomando o caso do Brasil como exemplo, os movimentos partiram tanto do exterior – pessoas que fugiam de zonas de conflito e perseguição social ou famílias que rumavam a uma terra de maiores oportunidades –, quanto surgiam entre as regiões brasileiras – caso típico seria devido à rápida urbanização do país e em busca de uma vida melhor nas grandes cidades. Neste contexto, é recorrente o hábito de culpar migrantes por diversos problemas sociais contemporâneos, desde violência urbana até o aumento do desemprego.  

São inúmeros os cientistas sociais que trataram a questão, incluindo os clássicos Marx, Weber, Malthus e Durkheim. Suas teses variam, circundando temas como o crescimento geométrico da população somado ao crescimento aritmético das tecnologias disponíveis; industrialização e urbanismo; e a inevitabilidade da pobreza como fruto do empreendimento capitalista. A partir disso, pode-se afirmar que o debate não é novo e traz uma profunda carga teórica para embasar qualquer tipo de posicionamento. No decorrer do século XX, a migração passou cada vez mais a ser tratada como uma patologia social, uma ameaça a coesão social do país e um risco aos seus cidadãos frente a estrangeiros que tomavam oportunidade antes exclusivamente nacionais. 

Passando da contextualização para a prática, são muitos os países nas Américas (como continente) que tiveram seu desenvolvimento baseado – ao menos em termos populacional – na imigração. Fomos, em grande medida, um grande pólo de atração e recepção de diversas nacionalidades. A meu ver, um processo menos conflituoso que em outras partes do mundo. Atualmente, os denominados países desenvolvidos tratam de limitar a imigração legal, combater a imigração ilegal e expulsar imigrantes ilegais. Em uma conversa com uma francesa, me ficou claro um ressentimento com relação aos imigrantes em seu país, visto que muitos desses resistem à principal forma de integração social, qual seja, aprender o idioma nativo do país onde passaram a viver.  

Esta semana duas notícias me chamaram a atenção. Primeiro, o governo francês que sofre críticas da Comissão Européia por seu procedimento para deportar ciganos vivendo em seu país. Segundo, o massacre de imigrantes no México. O acirramento do combate a este fluxo atinge questões vinculadas aos Direitos Humanos, tornando-se efetivamente um tema de estudo abundante nas Relações Internacionais. Para minha imensa surpresa, no entanto, descobri que há também ressentimentos no Equador (onde atualmente vivo). Obtive relatos de equatorianos segundo os quais seriam os colombianos e/ou cubanos os grandes promotores da desordem social do país, trazendo consigo violência, seqüestros, narcotráfico, entre tantos outros.  

Voltando ao ponto inicial. Não é fácil chegar à decisão de migrar ou imigrar – isso quanto tratamos dos casos voluntários. Pior ainda é quando se chega a um país onde não são garantidos os mesmos direitos e a proteção institucional, culminando em famílias expostas a trabalhos de baixa remuneração, por vezes temporário, e sem garantias. Em geral, pode-se afirmar que são estas as condições encontradas por grande parte dos migrantes/imigrantes. Seu impacto social, obviamente não justificável mas esperado, é emersão dos problemas já citados.  

Frente a tudo que me relatam pessoas de diversas nacionalidades e a partir de meu ponto de vista como brasileiro vivendo em outro país, tendo a concluir que há certo exagero no grau de responsabilidade que colocam nas costas dos migrantes/imigrantes. Os problemas são mais profundos do que muitos gostariam de admitir. A tendência é apontar para o alvo mais fácil. Admito, no entanto, o contra-argumento que os movimentos migratórios ilegais devem ser remediadas e que muitos imigrantes promovem desordem social, assim como muitos nacionais. O único ponto não aberto a discussão nesta temática é que não se pode desrespeitas as regulações internacionais, qualquer Estado que o fizer deverá ser responsabilizado e devidamente punido.


Categorias: Américas, Brasil


4 comments
Anonymous
Anonymous

o desenho mostra alguem saindo da padania mesmo com aspecto do lazio indo pro pará(o mapa parece); como se pode comparar imigrantes do xix/xx-i que desenvolveram vastas areas do cone sul e cia com estes imigrantes pos-modernos que saem do terceiro mundo pra erguer favelas no primeiro?sim, por que os imigrantes alemães em sc transformaram um pedaço de mato subdesenvolvido em um pedaço da europa central na serra geral, enquanto um imigrante brasileiro sai daqui pra europa pra trasnferir "nossas" favelas pra la..

Luís Felipe Kitamura
Luís Felipe Kitamura

Pois é Mário, vou morar aqui no Equador até o ano que vem! Posso dizer, que além de ser um país bonito também tenho a oportunidade de acompanhar de perto o governo Rafael Correa.Abraços,

Mário Machado
Mário Machado

Ah sim, vc mora no Equador que Chévere!!! Passei bons momentos da minha vida por ai.Abs,

Mário Machado
Mário Machado

Por sinal o Dr. Maurício Santoro publicou sexta-feira em seu blog (todososfogos.blogspot.com) uma boa análise sobre a draconiana lei de imigração brasileira. Que se bem pesadas nada perde aos exemplos dados acima (mesmo com a recente anistia).Abs,