Mais uma vez, Malvinas.

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A disputa pelas Malvinas já chegou até as barras de endereço dos sites de notícias ingleses

As Malvinas são argentinas. As Malvinas não são argentinas. Essas são duas frases que temos ouvido muito nos últimos trinta anos. Normalmente, uma muito próxima da outra e proferidas por pólos opostos. Ainda hoje, essas ilhas são um tema importantíssimo na política do país. Pode-se dizer que, em certa medida, foram determinantes para o fim da ditadura militar. No início dos anos 70 já se desenvolvia um pequeno processo entre os políticos para uma transição para a democracia mais controlada pelos militares. Mas a guerra, a última tentativa do regime se segurar acabou mexendo muito com o moral da população e levando a quebra de todo apoio.

O regime militar acabou. A guerra das Malvinas também. A questão, todavia, perdura. Por quê? Será que de fato Cristina Kirchner e a trupe de sua diplomacia têm alguma esperança de que o governo britânico irá abdicar às ilhas? Se entendem isso ou não, é difícil dizer. Mas que acreditam na importância do tema para o país e para seus eleitores, não há dúvida alguma. É um daqueles temas, como educação no Brasil, que todo político tem a obrigação de tratar. E, por isso, nunca passa despercebido.

Próximo do aniversário de 30 anos da guerra, estamos vendo uma tensão diplomática entre a Grã-Bretanha e a Argentina. Observa-se um lado falando, o outro retrucando e, pela primeira vez, a ONU dizendo que vai mediar. Sim, isso mesmo. É a primeira vez que um governo argentino aceita a mediação das Nações Unidas para tentar atingir um acordo nesse tema. Essa tensão toda se intensificou quando Kirchner acusou a Grã-Bretanha de militarização da região, pois houve um exercício militar que chegou a envolver até mesmo o príncipe William. Depois, na Assembleia da ONU, a Argentina até mesmo acusou os ingleses de terem armas nucleares na região. Cameron e sua diplomacia negavam tudo e ainda complementavam que não há acordo sobre a soberania das Malvinas.

Todavia, o aceite de uma atuação da ONU na questão pode apontar para uma mudança de postura. Como já disse, é a primeira vez, em trinta anos, que isso ocorre. Por outro lado, é difícil vislumbrar no curto prazo uma resolução da disputa, já que ambos os lados colocam-se de maneira pouco flexível e, para os ingleses, não existe negociação. Da mesma forma, pode até ser que os argentinos estejam buscando alguém mais forte para legitimarem sua posição, nesse caso, a ONU. Além do que a atuação do órgão em tensões desse tipo nem sempre atingiu bons resultados na história, mas já é interessante o passar de “apontar os dedos” para uma possível negociação (note-se que, por enquanto, só dos argentinos). O mais interessante é notar a postura dos moradores da região das Malvinas, os kelpers. De origem inglesa, quase não há quem se identifique com a Argentina e, para eles, também não há o que negociar. Preocupam-se com os ganhos econômicos e agora temem um isolacionismo que possa vir do apoio do Mercosul à causa argentina (tema já tratado no blog anteriormente, confira aqui).

A raíz histórica da disputa das Malvinas já vem do século XIX. Há quem diga que os ingleses estiveram lá primeiro, há quem defenda que os argentinos estavam lá antes e há também os que dizem que a Inglaterra rompeu tratados internacionais para ocupar a região (clique aqui para ver essas posturas interessantes). Seja lá quem está correto de verdade, até que essa dita mediação da ONU ocorra, continuaremos a ouvir muito as frases “Malvinas são argentinas!” e “as Malvinas não são argentinas!”.


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